quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Isso basta-me!


Não sei mais o teu nome. Não sei os redemoinhos que te sopram, nem os teus segredos, os caminhos desfeitos. Não sei onde dormes, nem que nomes a tua boca já chamou. Não conheço as tuas rendições, mas confio no invisível fio das amarras quando dizes prometo. Lavo-me no leite dos teus olhos milenares como quem se lava de esperanças e sabe que o amanhã, ali, é apenas uma outra ilusão. Não sei onde será, mas saber da tua vinda basta-me.

Não sei das tuas fomes, nem se te deixas morrer nos braços de um homem, mas sei que te tomarei nos meus, um dia, como quem sacia todas as fomes ancestrais e embala o sono no balanço doce do vento do litoral, e isso basta-me. Não sei a tua duração, mas sei que os séculos da tua permanência serão feito incenso, linho, navegação de caravela em mar aberto, oração, sânscrito divino, e isso basta-me.

Não sei como te vestes, mas sei que a roupa que usas para mim é a tua nudez, de milagre do belo, de orações, de fêmea húmida, como um véu, um manto, no qual me escondes, e isso basta-me.

Não te toco, nem sei onde gostas que a mão te dome, mas sei que te abrirás, não como se te desses a outro homem, mas como se fosse o mover de tuas coxas e a salivação de teu corpo a passagem do Mediterrâneo, e o definitivo e único morrer do nosso destino... e isso basta-me!

Sem comentários: