quarta-feira, 30 de julho de 2008

Barco Ancorado 30/07/2008


Aquele que é considerado o pai do rock português completa esta quarta-feira 51 anos. A carreira de Rui Veloso começou quando a sua mãe resolveu apresentar, na Valentim de Carvalho, umas gravações caseiras feitas pelo próprio, em que interpretava temas de rock e blues. A sua qualidade surpreendeu de tal forma a editora, que nem pensou duas vezes em propor-lhe um contrato discográfico. Assim, em 1980, é editado "Ar de Rock", um disco repleto de influências blues, feito com os instrumentos básicos do rock n' roll (guitarra, baixo, bateria, harmónica), que fez história e criou o rótulo "rock português". Revelando-se também uma dupla notável: Rui Veloso, na música e Carlos Tê, nas letras.
Em poucos meses, Rui Veloso passava de ilustre desconhecido a estrela. "Ar De Rock" revelou-se um verdadeiro sucesso, chegando mesmo a disco de Ouro, gerando uma série de clássicos, como "Chico Fininho" (o maior de todos) ou "A Rapariguinha do Shopping".
A expectativa era alta quando, em 1982, editou "Fora de Moda", que incluía temas como "Balada da Fiandeira" ou "A Gente Não Lê". No entanto, quem esperava deste trabalho um "Ar de Rock Parte 2", ficou desiludido. Até porque Rui Veloso declarava publicamente que não queria ser "uma estrela do rock and roll"...
Veloso volta aos álbuns em 1983, numa altura em que o rock português se tornava mais negro e menos rock, com "Guardador de Margens", que já pouco tinha a ver com rótulos e catalogações, confirmando mais uma vez a qualidade da parceria Veloso/Tê, comprovada em canções como a "A Ilha" ou "Guardador de Margens".

No Natal de 1986, Rui Veloso regressou com um álbum que era para se chamar "Os Vês Pelos Bês", numa referência ao sotaque portuense, mas que acaba por se chamar simplesmente "Rui Veloso". "Porto Covo", "Porto Sentido", entre outros, são êxitos automáticos que levam o disco ao primeiro lugar das tabelas, valendo-lhe mesmo o Disco de Platina
Na Primavera de 1988, lança o álbum duplo "Ao Vivo", um registo dos seus concertos nos Coliseus de Lisboa e do Porto, realizados um ano antes, que chega também à Platina.
Em 1990, chega então a vez de novo duplo, "Mingos & Os Samurais", um trabalho preparado minuciosamente ao longo de vários anos, que relatava a vida e obra de Mingos & Os Samurais, um grupo de baile dos anos 60/70. O disco, de onde sobressai o tema "Não Há Estrelas No Céu", vende mais de 300 mil cópias e chega à Platina.
"Auto Da Pimenta", um disco encomendado pela Comissão dos Descobrimentos que aborda o tema da nossa epopeia nacional dos Descobrimentos, segue-se em 1992.
Três anos depois, é a vez de "Lado Lunar", que, para não variar, chega também ao Disco de Platina.
Em Dezembro de 1996, integra o projecto "Rio Grande", um dos mais bem sucedidos da música portuguesa, com nomes bem conhecidos como Jorge Palma, Vitorino, Tim e João Gil, que resulta na gravação de dois álbuns: "Rio Grande" e "Dia de Concerto".
Em 1998, sai "Avenidas". Com a colaboração do inseparável Carlos Tê, Clara Pinto Correia (letrista em dois temas), Paul Carrack, dos Mike & The Mechanics, e produção de Luís Jardim. A fechar os anos 90, compõe o tema principal do filme "Jaime", de António Pedro Vasconcelos, enquanto o tema "Todo O Tempo do Mundo" dá nome a uma série da TVI.

Em 2000, Rui Veloso festejou os 20 anos de "Ar de Rock", com uma reedição do disco mas com os temas a serem recuperados por gente tão diversa como Clã, Ala dos Namorados, Mão Morta, Sara Tavares, Jorge Palma, Xutos & Pontapés, Belle Chase Hotel ou os brasileiros Paralamas do Sucesso.
No mesmo ano, "O Melhor de Rui Veloso" chega às lojas, álbum que já só é sucedido em 2003 com "O Concerto Acústico". Produzido pelo próprio Rui Veloso e por Paulo Junqueiro, este disco duplo foi gravado ao vivo nos Estúdios da Duvideo, com excepção para "Presépio de Lata", "Cavaleiro Andante" e "Primeiro Beijo" (gravados ao vivo no Centro Cultural de Belém, em Dezembro de 2002) e de "Porto Sentido" (gravado ao vivo no Coliseu do Porto, em Fevereiro de 2003). O mesmo disco é, mais tarde, editado em formato DVD.
Em 2005 Rui Veloso dedicou-se à actividade editorial lançando, pela sua editora, a Maria Records, os discos dos Azeitonas e de Jorge Vadio.
Em Novembro desse ano, o cantor editou o álbum "A Espuma das Canções" que contou, novamente, com a colaboração de Carlos Tê.

A 2 de Junho de 2006, o intérprete de 'Jura' actuou no Rock in Rio-Lisboa, no mesmo dia que os míticos Pink Floyd, Carlos Santana, Roger Waters e Jota Quest.
No mesmo ano, a jornalista Ana Mesquita construiu, ao longo de 280 páginas, um retrato do músico sob a forma de biografia. Na obra, intitulada "Os Vês Pelos Bês", são contadas centenas de histórias inéditas, complementadas com fotografias e diversos documentos.
Em meados de Fevereiro de 2007, Rui Veloso subiu ao palco do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, num evento que teve como propósito apresentar, ao vivo, discos emblemáticos de grupos portugueses. O cartaz desse espectáculo contou, igualmente, com actuações dos Rádio Macau, Jorge Palma, GNR, Xutos & Pontapés e Pedro Abrunhosa. Nessa noite Rui Veloso recordou o disco "Ar de Rock".

Alinhamento
Rui Veloso – Porto seguro
Rui Veloso – Logo que passe a monção
Xutos & Pontapés – Manhã submersa
Jorge Palma – Bairro do amor
Rui Veloso – Não me mintas
Clã – Competência para amar
Rui Veloso – Todo o tempo do mundo

1 comentário:

Anónimo disse...

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