sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Barco Ancorado 27/02/2009


Esta sexta-feira o Barco Ancorado assinala um especial U2, para falar daquele que já é considerado um dos melhores trabalhos dos últimos 15 anos da banda irlandesa. Chama-se “No Line on the Horizon”. O início eufórico do disco origina um prognóstico falso. O primeiro vaticínio é (erradamente) tão optimista quanto o rock clássico dos U2 que brilha nas primeiras quatro faixas (das onze) do novo longo, o 12º da banda.
A entrada é forte e os U2 mostram-nos logo o seu melhor no tema-título que abre o álbum: odisseia rock soalheira, de decoração ambiental trabalhada, que nada deve a semelhantes como 'Where The Streets Have No Name' (a faixa de abertura do bem sucedido "Joshua Tree").
As faixas seguintes têm também tudo para cair no goto da numerosa legião de fãs. 'Magnificent', 'Moment of Surrender' e, sobretudo, 'Unknown Caller' consagram o melhor que os U2 têm: o heróico Bono ao leme de coros efusivos, o tricot eléctrico elaborado por The Edge, a energia juvenil de reguila na bateria de Larry Mullen Jr e a sábia discrição de Adam Clayton no baixo. A química de quarteto está efervescente nessas três canções.

'Magnificent', 'Moment of Surrender' e 'Unknown Caller' confirmam os rumores que apontavam "No Line on the Horizon" como uma aproximação ao álbum "Achtung Baby". Na verdade, "No Line on the Horizon" concentra esforços numa das mais célebres canções da obra-prima de 1991: 'Misterious Ways' que foi, na altura, o ponto de encontro entre a linha tradicional do grupo e a novidade tecnológica. Este novo álbum é um conjunto de variações de 'Misterious Ways' que recupera os aromas arábicos do tema, ora em tons mais aguerridos, ora em marcha mais suave. O arsenal tecnológico de The Edge, os gritos de Bono no deserto e as canções soalheiras moldam, com poucas excepções, "No Line on the Horizon".
No fundo, "No Line on the Horizon" confirma aquela que tem sido a disposição do grupo ao longo da década: o presente às ordens do passado e não à procura de um novo futuro. Só muda o álbum recordado: este último é um filtro mais acomodado de "Achtung Baby".
Outro dado revelado pelas faixas subsequentes é o deste não ser ainda o álbum de renascimento de forma dos U2 à antiga. Quanto muito, os U2 saem do coma criativo profundo e agora dão sinais de recuperação. As primeiras quatro músicas foram só falso alarme de algo bem melhor.

Em “No Line on the Horizon”, por vezes, os U2 chegam a soar mais aos seus descendentes - como os Killers ou os Coldplay - do que à excelência dos próprios. 'Fez - Being Born', a derivação mais comprida de Misterious Ways, é das uma viagens sensoriais mais exigentes do disco, ao alcance banal, porém, das bandas citadas que influenciaram.
Noutros exercícios, 'White as Know' é balada contemplativa cinematográfica, de impacto bem mais modesto que um tema-primo seu como 'All I Want Is You' (a canção de encerramento de "Rattle & Hum"). E a faixa última 'Cedars of Lebanon' podia estar no álbum mais meditativo que os U2 prometem para o final do ano, lembrando a canção os ensaios abstractos dos Passengers (o quinteto que unia Brian Eno aos U2).
Ficou por realizar o sonho dos U2 serem produzidos por Rick Rubin. Mas a banda de Bono não estava para adiar mais a experiência de um rock mais pesado.

A faceta hard-rock aparece no novo disco dos U2 com alguma margem. Mas o galope suado retira-lhe perfume. A forma mais pesada é nos U2 um exotismo mas não uma especialidade. E talvez por isso, Get on Your Boots é o menos carismático 1º single de sempre de um álbum de U2. Stand Up Comedy não passa de um sucedâneo do arrojado The Fly (a primeira canção que o mundo conheceu de Achtung Baby). Só quando conseguem domesticar o cavalo selvagem em Breathe é que os U2 brilham a grande altura, com refrões épicos e um violoncelo mandão a aguentar o passo veloz da canção - esse é o melhor momento da segunda metade do álbum.

Alinhamento
U2 - Unknown Caller
U2 - Magnificent
U2 - Moment of Surrender
U2 - Breathe
U2 - No Line on the Horizon
U2 - Fez – being born
U2 – Cedars of Lebanon

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Barco Ancorado 26/02/2009


O novo disco dos Yeah Yeah Yeahs, "It's Blitz!", chega às lojas no dia 13 de Abril. O terceiro registo de Karen O e companhia é apresentado pelo single 'Zero', contando com dez temas no seu alinhamento. A produção esteve a cargo de Dave Sitek dos TV on the Radio e Nick Launay, conhecido pelo trabalho com Nick Cave e Supergrass.

A banda Yeah Yeah Yeahs foi formada em Nova Iorque. É composta pela vocalista Karen O, o guitarrista Nick Zinner e na bateria Brian Chase. A sua música é uma mistura de elementos retro com guitarras ao estilo punk rock. A partir de 2006 passaram a contar com um segundo guitarrista, Imaad Wasif, para as turnés.
Karen O e Nicolas Zinner formaram a banda "Unitard" em 2000, e mudaram o nome para o actual após a entrada de Brian Chase.
O álbum de estreia da banda foi um EP homónimo, lançado em 2001, seguido do EP Machine em 2002. Em 2003 chegou o primeiro álbum, Fever to Tell, que recebeu críticas bastante positivas e que vendeu mais de 750.000 cópias internacionalmente. O terceiro single lançado, "Maps", teve bastante aceitação em rádios de rock alternativo. O videoclipe de "Y Control" foi dirigido pelo aclamado diretor Spike Jonze, que inclusive se envolveu com a vocalista Karen O durante algum tempo. Em Outubro de 2004 a banda lançou o seu primeiro DVD, Tell Me What Rockers to Swallow, que incluíu um concerto no The Fillmore, em San Francisco, todos os videoclipes da banda até então e diversas entrevistas.

O segundo álbum dos Yeah Yeah Yeahs, Show Your Bones, foi lançado em Março de 2006. Mais trabalhado, o álbum mostra uma banda mais madura. O disco é bem diferente dos anteriores e também recebeu críticas muito positivas. O disco foi produzido por Sam "Squeak E. Clean" Spiegel, que colaborou com Karen na canção "Hello Tomorrow", feita para um comercial da Adidas que foi dirigido pelo irmão de Sam e pelo ex-namorado de Karen, Spike Jonze. O primeiro single do álbum foi "Gold Lion", lançado em 20 de Março de 2006.

Em 24 de Julho de 2007, os Yeah Yeah Yeahs lançaram um EP chamado “Is Is”, composto por cinco canções: "Rockers to Swallow", "10x10", "Kiss Kiss", "Down Boy" e "Isis", e também um vídeo do dia do concerto de lançamento do mesmo. Todas essas canções foram regravadas, pois na turné de “Fever to Tell” já iam sendo apresentadas ao vivo.
O novo disco dos Yeah Yeah Yeahs, "It's Blitz!", chega às lojas no dia 13 de Abril.

Alinhamento
Yeah Yeah Yeahs - Maps
Yeah Yeah Yeahs - Phenomena
Interpol – Slow hands
The White Stripes - Jolene
The Strokes – 12 51
Yeah Yeah Yeahs – Gold Lion
PJ Harvey – Good fortune
Rilo Kiley – Silver lining
Rachael Yamagata – Be be your love
Feist – One evening
Yeah Yeah Yeahs – Y control

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Barco Ancorado 25/02/2009


Nitin Sawhney subiu ontem à noite ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Na bagagem, o multi-facetado músico britânico trouxe o mais recente disco, "London Undersound", edição onde colaborou com Paul McCartney e Imogen Heap.
Nitin Sawhney, artista anglo-indiano, saltou definitivamente para a ribalta em 1999 com o álbum "Beyond Skin", considerado um dos discos do ano pelas mais prestigiadas publicações da especialidade. No entanto, a sua história começa alguns anos antes.

O cantor estreia-se nos discos em 1993 com o álbum "Spirit of Dance", lançado por uma editora criada por si. Pouco depois, assina contrato com a Outcaste Records e lança, em 1995, "Migration", um disco que aborda, de resto como a generalidade dos discos do músico, a temática da identidade cultural e do sentimento de pertença a uma cultura, mesmo estando geograficamente afastado dela, e que lhe vale rasgados elogios por parte da crítica.

Em 1996 Nitin edita o seu terceiro álbum de originais intitulado "Displacing the Priest".
Três anos depois surge o aclamado "Beyond Skin", um trabalho brilhante de fusão de música indiana, o flamenco, a soul, jazz e drum n' bass, acompanhado por letras de cariz social, rematando tudo isto com uma produção sóbria e elegante, que esteve a cargo do próprio.
Após a aclamação por parte da crítica seguiu-se uma extensa tournée que passou pelo prestigiado Royal Albert Hall de Londres, e um pouco por toda a Europa (de Portugal à Dinamarca).

Em 2001 Nitin Sawhney regressou com "Prophesy", um disco editado agora pela V2, que conta com as colaborações de músicos de vários pontos do atlas como Cheb Mami (Argélia), Natacha Atlas (Inglaterra/Iémen), Trilok Gurtu (Índia) e mesmo um coro de crianças do Soweto (África do Sul). A sonoridade e as letras de "Prophesy" revelam, mais do que nunca, Nitin Sawhney como um artista atento e aberto à música e às diferentes culturas do mundo.
Seguiram-se os álbuns "Human" (de 2003), "Philtre" (de 2005) e "London Undersound" (de 2008), sem o efeito de novidade de outrora.

Alinhamento
Nitin Sawhney – The immigrant
Nitin Sawhney – Broken skin
Thievery Corporation – Will follow you
Lamb - Wonder
Nitin Sawhney – Letting go
Morcheeba – Bullet proof
Groove Armada – Dusk you and me
Nitin Sawhney - Sunset

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Barco Ancorado 23/02/2009


Stevie Wonder vai ser homenageado na Casa Branca. O cantor actuará na residência oficial do presidente norte-americano esta quarta-feira, dia em que recebe o prémio da Biblioteca do Congresso.
O concerto de Stevie Wonder será transmitido no dia seguinte, através da estação PBS.
Stevie Wonder foi um dos músicos que apoiou a candidatura de Barack Obama para a presidência dos EUA. As canções 'Signed, Sealed, Delivered, I'm Yours' e 'Higher Ground' foram usadas na campanha do político, tendo Stevie Wonder actuado também num concerto decorrido durante a semana da tomada de posse de Obama como novo presidente do País.

Stevie Wonder gravou o seu primeiro disco com apenas doze anos, depois de Berry Gordy, da editora Motown, o ter descoberto em Detroit. O talento do jovem, cego de nascença, atraíu o caçador de talentos que logo constatou a grandeza do saber musical do pequeno Stevie. O álbum "12-Year-Old Genius" teve no tema "Fingertips, Part2" um êxito extraordinário. Stevie Wonder conquistava, em definitivo, a confiança da Motown e afirmou-se inequivocamente como novo fenómeno.
Os anos seguintes foram de produção contínua. A Motown tinha em Stevie um verdadeiro tesouro nas vendas e o pequeno músico continuou a ser responsável pela composição em todos os seus álbuns. Mas, alguns anos mais tarde, em 1971, Wonder acabou por decidir passar à produção própria. As divergências com a editora permitiram assim que o músico experimentasse outros géneros para além da soul, compondo em variações de jazz, gospel e rock'n'roll. "Where I'm Coming From" e "Music Of My Mind" foram os registos que se seguiram. Apesar de tudo, os trabalhos saíram no catálogo da Motown depois de conseguido um mútuo acordo entre as partes.

Contrariando a tendência patente no mercado e na música soul e R&B, Stevie Wonder conseguiu uma afirmação como músico em pleno e não só como um cantor que editava singles triunfantes de tempos a tempos. Os álbuns "Talking Book", de 1972, e "Innervisions", de 73, confirmaram na prática as esclarecidas intenções de Wonder. Ao mesmo tempo, adoptou uma postura crítica relativamente a situações de injustiça e assuntos raciais patentes na sociedade americana. O carácter único das suas criações continuou em "Fulfillingness' First Finale", de 1974, e em "Songs In The Key Of Life", (um dos seus álbuns mais famosos), editado dois anos depois. Mas, o activismo de Stevie continuou e isso mesmo ficou patente quando fez pressão junto do governo americano para que o aniversário de Martin Luther King passasse a ser feriado nacional nos Estados Unidos. As iniciativas com vista à denúncia do sistema de apartheid na África do Sul valeram-lhe ser recebido por Nelson Mandela que o considerou um filho. A fechar a década, publicou um dos discos mais aclamados de sempre: "Journey Through The Secret Life Of Plants"

Os anos 80 começaram com o lançamento de "Hotter Than July", o primeiro registo de Stevie Wonder a alcançar a platina. Quatro anos depois, "The Woman In Red", álbum composto para a banda sonora do filme com o mesmo nome, trouxe consigo o tema "I Just Called To Say I Love You", que logo se transformou num verdadeiro fenómeno à escala planetária.
Os anos 90 não foram, no entanto, os melhores para Wonder, excepção feita à composição da banda sonora de "Jungle Fever", um filme de Spike Lee.
No entanto, o novo milénio tem assistido à recuperação e reedição do reportório do músico, apesar da presente década ter sido apenas pontuada por um álbum de originais, de título "A Time to Love" (de 2005).

Alinhamento
Stevie Wonder - Superstition
Stevie Wonder – You are the sunshine of my life
Lionel Richie – The magic of love
Gladys Knight – Licence to kill
Diana Ross – Endless love (ft Lionel Richie)
Stevie Wonder – Part time lover
Roberta Flack – Killing me softly with this song
Donna Summer – Love to love you baby
Stevie Wonder – I just called to say I love you

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Barco Ancorado 20/02/2009


Os White Stripes vão por fim regressar aos palcos, isto depois do cancelamento inusitado de uma série de concertos no final de 2007. A dupla vai apresentar-se esta sexta-feira no programa "Late Night" de Conan O'Brien, do canal de televisão norte-americano NBC. Refira-se que em 2003, Jack e Meg White foram a "banda residente" do programa de O'Brien ao longo de uma semana, uma manobra em tudo semelhante à recentemente anunciada pelos U2 para o programa de David Letterman. Entretanto, é ainda uma incógnita se os autores de "Get Behind Me Satan" vão apresentar novos temas. Recorde-se que os Stripes lançaram o seu último álbum, "Icky Thump", em 2007.

The White Stripes é uma dupla de blues rock norte-americana, formada no ano de 1997 em Detroit, Michigan, composta por Jack White (compositor, vocalista, guitarrista, pianista) e Meg White (bateria, percussão e vocal de apoio). São conhecidos pelo seu som lo-fi e simplicidade nas composições e arranjos, notoriamente inspirados pelo punk e pelo blues rock, pelo folk rock e pela música country. O dia 14 de Julho de 2007 marcou o 10º aniversário da dupla, comemorado com um show no Teatro Savoy, no Canadá, cujos ingressos se esgotaram em vinte minutos. A banda ficou conhecida mundialmente depois dos sucessos de "Fell in Love with a Girl", "The Hardest Button To Button", "Seven Nation Army" e "Icky Thump".

Vermelho, branco e preto, são as cores dos White Stripes, e de acordo com Jack, a mais poderosa combinação de cor de todos os tempos, da Coca-Cola até uma bandeira nazi. Em algumas entrevistas, o grupo afirmou que as cores vermelha e branca referem-se a peppermint candy, um símbolo da inocência de infância. Jack também mencionou que as cores são utilizadas em brinquedos para bebés, porque são facilmente visíveis. Além do vermelho, branco e preto que a banda usa, Jack também diz que os chapéus são "muito importantes." Nas letras da banda, frequentemente as cores são mencionadas, como em "Black Math", "Red Rain", e "White Moon". Na letra de "Icky Thump" as cores da banda também aparecem: "redhead señorita", "preto rum" e "um olho branco".

Jack White tem enfatizado a importância que o número três tem para os White Stripes, citando-o como inspiração não só para os seus uniformes tricolor, mas a sua abordagem descendente para comparar o que ele considera os três elementos da canção: narrativas, melodia e ritmo.
Também existem apenas três sons - bateria, guitarra e vocais - na maioria das suas canções. Jack também só usa três guitarras eléctricas para os concertos ao vivo da banda.

Alinhamento
The White Stripes – The hardest button to button
The White Stripes – In the cold, cold night
The Strokes – 12 51
Interpol – Slow hands
Yeah Yeah Yeahs - Maps
Kings of Leon – Sex is on fire
The White Stripes -Jolene
Beck - Loser
Franz Ferdinand – This fire
Kaiser Chiefs – On my god
The White Stripes – You´ve got her in your pocket