sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Barco Ancorado 30/01/2009


Billy Powell, teclista dos Lynyrd Skynyrd, faleceu na quarta-feira na sua casa na Flórida. Segundo os médicos que o assistiram, a causa do falecimento foi um ataque cardíaco fulminante. O músico de 56 anos tinha história de problemas cardíacos, tendo mesmo falhado uma avaliação cardíaca no passado dia 27.
Powell passou a integrar os Lynyrd Skynyrd em 1970, depois de trabalhar como roadie da banda. Foi também um dos sobreviventes do fatal acidente de avião, que em 1977 matou os irmãos Steve e Cassie Gaines, o vocalista Ronnie Van Zant, o manager Dean Kilpatrick e os dois pilotos. O teclista sofreu ferimentos graves na zona facial, tendo quase perdido a totalidade do nariz, mas acabou por ser o primeiro a sair do hospital, o que levou a que fosse o único membro da equipa a assistir ao funeral dos seus colegas.
O músico acabaria por voltar aos Lynyrd Skynyrd para uma digressão de tributo em 1987, permanecendo na banda até ao seu falecimento.

No Verão de 1964, os amigos adolescentes Ronnie Van Zant, Allen Collins e Gary Rossington formaram a banda "The Noble Five", que em 1970 passou a chamar-se Leonard Skinnerd, em homenagem ao professor de educação física Leonard Skinner, conhecido por cumprir rigidamente a regra da Robert E. Lee High School que proibia os jovens de usarem cabelo comprido. O nome definitivo foi adoptado pouco antes do lançamento do seu primeiro álbum.
Em 1972, o baixista Leon Wilkeson e o teclista Billy Powell, ex-roadie, passaram a integrar o grupo, pouco antes do lançamento do primeiro álbum. O disco foi muito bem sucedido, tendo os hits "Free Bird" e "Gimme Three Steps" como principais destaques. Foram convidados para abrirem a turnê do The Who nos Estados Unidos, ficando famosos em todo o país.
O segundo trabalho, Second Helping, saiu logo em 1974 e "Sweet Home Alabama", o carro-chefe, levou-os à conquista do disco de ouro. O baterista Robert Burns é substituído por Artymus Pyle e o próximo álbum Nuthin' Fancy trazia o clássico "Saturday Night Special", mantendo o Lynyrd nas paradas.

Após Gimme Back My Bullets, de 1976, mais algumas mudanças ocorreram na formação dos Lynyrd Skynyrd: o guitarrista Steve Gaines entra para o lugar de Ed King, e as backing vocals The Honkettes são adicionadas, com Jo Jo Billingsley, Leslie Hawkins e Cassie Gaines, irmã de Steve.
Gravam o duplo ao vivo One More From The Road, um dos maiores sucessos comerciais de toda a carreira, e "Free Bird", em versão ao vivo, volta a estourar nas rádios. Aproveitando o bom momento, gravam o inédito Street Survivor, em 1977, que ganhou disco de ouro já no lançamento. As faixas "That Smell" e "What's Your Name" tornaram-se verdadeiros hinos na época.
Porém, quando tudo parecia correr bem, um trágico acidente condicionou a carreira da banda: no dia 20 de Outubro de 1977, 26 pessoas, incluindo os músicos, roadies e tripulação, partiram em direcção ao estado de Lousiana no avião particular da banda. O avião caiu numa floresta perto de Mississipi. O vocalista Ronnie Van Zant e o guitarrista Steve Gaines morreram na hora, enquanto Cassie Gaines, a sua irmã, com a garganta cortada de ponta a ponta, chorou e agonizou até morrer no colo de dois dos músicos sobreviventes. Apenas uma semana antes do acidente havia sido lançado o álbum Street Survivors.
Três anos depois os sobreviventes do desastre aéreo formaram outro grupo, a Rossington-Collins Band, que não obteve grande repercussão.
Allen Collins decide então seguir uma carreira a solo, interrompida em 1986, após um grave acidente automobilístico que o deixou paralítico, vindo a morrer em 1990 de pneumonia.

Em 1991 os Lynyrd Skynyrd reuniram-se novamente e fizeram shows sempre com lotação máxima, mais pelo nome imortalizado no passado do que pelos álbuns dessa nova fase.
No dia 27 de Julho de 2001, mais uma triste notícia para os fãs: o baixista Leon Wilkeson faleceu "de causas naturais", em Jacksonville, aos 49 anos.
No dia 14 de Março de 2006, os Lynyrd Skynyrd entraram para o Hall da Fama do Rock and Roll com direito a uma apresentação especial com a música "Sweet Home Alabama".
Em 2008 anunciaram no seu site oficial que estava em processo de gravação um novo álbum. O lançamento estava programado para os primeiros meses deste ano, só que a banda continua a ser perseguida pelo infortúnio. Esta quarta-feira faleceu o seu teclista, Billy Powell.

Alinhamento
Lynyrd Skynyrd – Gimme back my bullets
Lynyrd Skynyrd – That smell
ZZ Top – Gimme all your lovin
Boston - Amanda
Jimi Hendrix – Purple haze
Lynyrd Skynyrd – Simple man
Led Zeppelin – Whole lotta love
Lynyrd Skynyrd – Sweet home Alabama

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Barco Ancorado 29/01/2009


Não é seguramente todos os dias que se ouve um álbum de qualidade tão eloquente quanto "Working on a Dream". O longo mais recente de Bruce Springsteen habilita-se ao pleno raro de conseguir agradar a gregos e a troianos. Se por um lado, este se afigura como o álbum mais disponível para conquistar o grande o público desde "Born in the USA" (de 1984); por outro, tem uma elaboração comparável a "Born to Run" (de 1975). A colheita de grandes canções com capacidade de projecção popular é fértil; mas também o é a imaginação fílmica de Springsteen que toma conta de cada canção ou o número de pistas musicais que o tabuleiro completíssimo da E Street Band oferece, de guitarras tão bem dedilhadas, de órgãos e pianos tão bem tratados, e de percussão tão eficiente, a que se acrescenta a assiduidade de arranjos de cordas que se identificam com a grandeza do disco.

De uma forma geral, "Working on a Dream" é uma obra de 12 canções (além do tema-bónus 'The Wrestler' para o filme do mesmo nome) de música americana à mais larga escala (meltdown de rock & roll, country e blues), de refrões épicos e de execuções gloriosas, com camadas de coros a virem de mil e uma direcções. Claro que estamos a falar de mais um álbum de Bruce Springsteen. Ou estaríamos. Raramente, o lado físico de ex-trabalhador das docas esteve tão coordenado com o intelecto bem trabalhado de homem culto e cavalheiresco, como neste disco.

A faixa de abertura 'Outlaw Pete', é um exemplo de serpenteado, tão grande de duração quanto de dimensão, servido por uma letra de narrativa western que demonstra as potencialidades de grande escritor que é Springsteen. 'My Lucky Day' é a canção rock optimista de estádio, que mobiliza quaisquer tropas. 'Queen of the Supermarket' é a balada grandiloquente, no espírito poético de 'Rosalita' (clássico antigo de Springsteen, ainda hoje muito reconhecido), com uma letra insólita que estabelece uma proporção exacta entre o absurdo de uma situação banal - o enamoramento do cliente pela mulher da caixa - e a beleza emocional da paixão que daí advém; ou Bruce Springsteen novamente em alta, do peso do seu enorme talento de compositor.

No melhor rock sem rodriguinhos, 'Working on a Dream' e 'What Love Can Do' têm a magia para espicaçar o nosso lado mais rebelde. E nos melhores momentos de meditação mais íntima, 'This Life' e 'Kingdom of Days' são bilhetes amorosos para longas viagens românticas de quatro minutos cada. E quando se desliga a máquina rockeira de Bruce Springsteen e da sua E Street Band (que, curiosamente, não está creditada na lombada do disco), ouve-se, sem filtros e em estado puro, o blues citadino e raivoso de 'Good Eye' ou a americana de 'Tomorrow Never Knows'. Tudo sempre em grande estilo.
Em jeito de remate final, 'The Last Carnival' é uma especialidade sua, a canção rústica atmosférica, que se converte no espelho do músico e deste álbum: um monumento de agigantamento e de transcendência humanos. Muito humanos.

Alinhamento
Bruce Springsteen – Working on a dream
Bruce Springsteen – Kingdom of days
Bob Dylan – You belong to me
Neil Young - Stringman
Bruce Springsteen – Outlaw Pete
Van Morrison – Brown eyed girl
Tom Petty – Into the great wide open
Bruce Springsteen – The wrestler

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Barco Ancorado 28/01/2009


A sua estreia discográfica remonta a 1988, com o álbum "Touch", mas a música já fazia parte da vida de Sarah McLachlan desde criança. Natural de Halifax, no Canadá, em 1968, Sarah começou a ter aulas de canto, piano e guitarra clássica em pequena.
Enquanto estudava na Escola de Design de Nova Scotia - e ao mesmo tempo liderava uma banda new wave intitulada October Game - a jovem foi descoberta pela Nettwerk Records. Inicialmente, Sarah recusou um contrato a solo para continuar os estudos, mas bateu à porta da editora para cobrar a oferta em 1987.
Nesta altura, a artista mudou-se para Vancouver e começou a gravar o seu primeiro trabalho, distribuído a nível internacional pela Arista Records. O álbum atingiu a marca de Disco de Ouro no Canadá e foi reeditado em 1989.
Esta quarta-feira, Sarah McLachlan completa 41 anos.

Em 1991, Sarah McLachlan regressou aos discos com "Solace", que se tornou um álbum de culto nos Estados Unidos. Seguiu-se uma digressão promocional de 14 meses, após a qual rumou ao Cambodja e Tailândia para colaborar num documentário canadiano sobre a pobreza e a prostituição infantil, chamado "World Vision".
Inspirada pela sua experiência, Sarah refugiou-se numa casa isolada perto de Montreal para escrever aquele que seria o seu álbum mais aclamado. Gravado em seis meses com a ajuda do produtor Pierre Marchand, "Tumbling Toward Ecstasy" chegou às lojas em 1993 e alcançou o estatuto de platina nos EUA. O primeiro single retirado deste álbum, 'Possession', foi sucedido por 'Good Enough' e 'Hold On', este último inspirado no documentário "A Promise Kept", sobre uma mulher que descobre que o seu noivo tem Sida. Bem a propósito, as receitas adquiridas com a venda deste single reverteram a favor de instituições de luta contra a Sida.

Em 1997, Sarah McLachlan lançou o quarto álbum de originais, "Surfacing", que reúne alguns dos seus maiores êxitos: 'Building a Mistery', 'Sweet Surrender' e ainda 'Angel', catapultado para o sucesso pela inclusão na banda-sonora do filme "Cidade dos Anjos", com Nicholas Cage e Meg Ryan.
No rescaldo da fama, McLachlan aproveitou para fundar o festival itinerante Lilith Fair em 97, dedicado à divulgação de música criada por mulheres cantoras e compositoras, que se prolongou por mais dois anos. Por esta altura, Sarah arrecadou três Grammys: Melhor Actuação Pop Vocal por 'Building a Mistery' (1998) e 'I Remember You' (1999) e Melhor Actuação Pop Instrumental por 'Last Dance' (1998).

Em 1999, a última edição da Lilith Fair coincidiu com o lançamento do álbum ao vivo de Sarah McLachlan, "Mirrorball", seguido por um álbum de misturas intitulado "Remixed", em 2001.
Com 25 milhões de discos volvidos, o muito aguardado álbum "Afterglow" chegou a Portugal em Fevereiro de 2004.
Em outubro de 2006, Sarah lançou um disco de canções natalícias, Wintersong, onde figuram regravações de John Lennon e Joni Mitchell, bem como composições próprias. Nesse mesmo ano, gravou ainda a canção Ordinary Miracle para a banda sonora do filme Charlotte's Web.
Já com mais de 30 milhões de discos vendidos e nomeada oficial da Ordem do Canadá, Sarah abriu uma instituição dedicada ao ensino de música a crianças que, de outra forma, não possuiriam acesso à educação musical, denominada Sarah McLachlan Music Outreach Project.

Alinhamento
Sarah McLachlan – Building a mistery
Sarah McLachlan - Fallen
Enya - Amarantine
Norah Jones – The long day is over
Dido – White flag
Sarah McLachlan - Angel
Enigma – Age of loneliness
Alanis Morissette – King of pain
Sarah McLachlan – Sweet surrender

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Recomeço


Volto para casa com os olhos cansados
de rectângulos brancos com nomes e datas.
Marcos de fúnebres latifúndios da saudade.
O dia natimorto cobriu o céu de cinzas...

Sinto-me enjoado de café e cheiro de cigarros,
e piadas sem graça contrapondo a desgraça.

Estranha procissão de cabeças abaixadas...
Estranho ressoar de passos trôpegos no
silêncio profundo e santo.

O som de roldanas e orações que desconheço...
Uma cova vermelha... Um brilho enterrado...

Volto para casa com os ouvidos cansados
de tantas ladainhas vergadas por bocas esquálidas
e distantes na noite sem dormir,
prometendo recomeço e esperanças.

Volto com a alma sem sorrir, diante da verdade,
de que só pode haver um vencedor.

Volto com a dor dos derrotados.
Quero mergulhar num longo sono de criança,
que sufoque a mudez que está em mim.

Porquê um poema se não há dilema?

Barco Ancorado 27/01/2009


Há quem o compare com o vinho, justificando que com o tempo "vai ficando cada vez melhor", e o certo é que, à primeira vista, ninguém suspeitaria sequer que esta terça-feira complete a respeitável idade de 60 anos.
Djavan Caetano Viana, ou simplesmente Djavan, nasceu em Maceió, Alagoas, no seio de uma família pobre, que lhe transmitiu a paixão pela música. Foi aí que, ainda muito jovem, formou a banda LSD, que é como quem diz, Luz, Som, Dimensão, cujo repertório era constituído por versões de temas dos Beatles.
Corria o ano de 1973 quando o músico partiu em direcção ao Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar como crooner numa discoteca, actividade que desempenhou durante quatro anos. Foi no Rio que travou conhecimento com um locutor de desporto da Rádio Globo chamado Edson Mauro, que o apresentou ao produtor da editora Som Livre, João Mello. Demorou um mês até Djavan ser contratado como cantor de temas de novelas e, dessa época, resultaram canções como "Presunçosa", de António Carlos e Jocafi para "Super Manuela"; "Calmaria e Vendaval", de Toquinho e Vinicius, para "Fogo Sobre Terra"; e "Alegre Menina", de Dori Caymmi e Jorge Amado, para "Gabriela".

O salto para a fama aconteceu finalmente através de uma participação no festival "Fato Consumado" da TV Globo, em 1975, onde o cantor apresentou o tema "Abertura", deixando transparecer os seus dotes de compositor, ao conquistar um segundo lugar. O primeiro single, foi editado quatro meses depois, e incluiu os temas "E Que Deus Ajude", "Um Dia", "Rei do Mar" e "Fato Consumado". O primeiro álbum, "A Voz, o Violão, a Música de Djavan", viu a luz do dia em 1976 e, do alinhamento, fez parte o grande êxito "Flor de Lis".
Depois da gravação do single, que incluiu as faixas "É Hora" e "Romeiros", o músico abandonou a Som Livre para se juntar ao catálogo da editora Odeon, para a qual gravou os álbuns "Djavan" (1979), "Alumbramento" (1980) e "Seduzir" (1981). "Luz", de 1982, foi gravado nos Estados Unidos, onde Djavan conheceu Quincy Jones, que adquiriu os direitos de distribuição de uma série de temas do compositor brasileiro.

Seguiu-se "Lilás", em 1984, cuja produção ficou a cargo de Eric Bulling e, no mesmo ano, o cantor trabalhou igualmente no filme "Para Viver Um Grande Amor".
O resto da década de 80 foi preenchido com a edição dos álbuns "Brazilian Knights And A Lady" (1985), "Meu Lado" (1986), "Não É Azul Mas É Mar" (1987), "Bird Of Paradise" (1988) e "Djavan" (1989). Neste último registo, o músico contou com a colaboração do guitarrista de flamenco Paco de Lucia na faixa "Oceano".
Caetano Veloso foi mais um músico de referência do panorama musical brasileiro, que colaborou com Djavan, desta feita na faixa "Linha do Equador", incluída no registo de 1991, "Coisa De Acender". O disco de 1996, "Malásia", contou no alinhamento com o tema de Tom Jobim, "Linha do Equador", posteriormente incluído em "Bicho Solto o XIII", de 1998.

O registo "Ao Vivo", editado em formato duplo, chegou ao mercado em 1999 e vendeu cerca de 1,2 milhões de unidades e foi nomeado para três categorias dos prémios Multiprize, nomeadamente "Best CD", "Best Show" e "Best Singer".
Ao longo da sua carreira, Djavan viu as suas canções serem imortalizadas na voz de grandes nomes da música brasileira, tais como Chico César, Paralamas do Sucesso, Lenine, Elba Ramalho, Chico Buarque, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, entre muitos outros.

Alinhamento
Djavan – Flor de Lis
Djavan – Meu bem-querer
Elis Regina - Romaria
Maria Bethânia – Onde estará o meu amor
Gal Costa - India
Djavan – Se acontecer
Tim Maia e Marisa Monte – Ainda lembro
Tom Jobim – Chega de saudade
Djavan - Lilás