terça-feira, 1 de julho de 2008

Noites de silêncios


Adormece meu corpo cansado
Nos mares distantes e até neste estive a teu lado
Morremos muitas vezes
Fomos devorados por gargantas enormes, negras
e cuspidos de volta
Não nos engoliram
Não gostaram
Urraram enraivecidas e delas rimos abraçados

As sombras fundem-se na negrura
e desaparecem com os seus medos

As estrelas nós conhecemos
sabemos os seus versos de cor
Decorámos nas longas noites de silêncios das horas mortas

Vou abrir as asas para proteger o teu sono
É tempo de calar-me
para ser ouvido entre os sibilos dos ventos tépidos

Barco Ancorado 01/07/2008


Uma das mais brilhantes vozes da Música Popular Brasileira, surgida nos últimos vinte anos, está hoje de parabéns. Completa 41 anos. Marisa Monte nasceu no Rio de Janeiro em 1967. Começou a estudar música aos 14 anos, influenciada pelo samba, bossa nova, tropicalismo, e por todos os nomes grandes da música brasileira que emergiram na segunda metade do século passado (Caetano Veloso, Gilberto Gil, António Carlos Jobim e João Gilberto, à cabeça). Marisa vê-se enquadrada numa segunda geração de continuadores desse período de ouro, onde a música brasileira ganhou asas com a fusão de elementos de jazz e pop.

Como quase todos os jovens brasileiros que viveram a década de 70, Marisa Monte é fortemente influenciada por Elis Regina. Embora a sua voz não seja exactamente igual à de Elis, Marisa tem em comum com a primeira a elasticidade vocal e a carga emocional que coloca em cada palavra que canta.
No final da década de 80, estudou Canto Clássico Europeu em Roma, regressando em seguida ao Brasil para combinar os conhecimentos entretanto adquiridos com a música do seu país. O resultado é uma música pop fresca, inovadora e altamente melódica.

Marisa Monte gravou o seu álbum de estreia homónimo em 1989, mas é com seu segundo trabalho "Mais", de 1991, que chega aos ouvidos do mundo. O disco, que atinge a platina no Brasil, teve produção de Arto Linsay e contou com as participações de nomes como Ryuichi Sakamoto e John Zorn. O sucesso do álbum leva Marisa a tocar fora do Brasil, nomeadamente nos EUA (onde dá os seus primeiros concertos) e na Europa (com uma participação notável no Festival de Jazz de Montreux).

A seguir a "Mais", Marisa Monte edita mais dois excelentes álbuns: "Verde Anil Amarelo Cor De Rosa E Carvão", em 1994, e "Barulhinho Bom", em 1996, ambos produzidos por Arto Linsay. Os dois trabalhos confirmam a sua maturidade, inteligência, e, acima de tudo, uma voz consolidada, que emerge como uma das melhores vindas do Brasil.
Em 2000, é editado "Memórias, Crónicas E Declarações De Amor", centrado no tema do amor e muito aclamado pela crítica. A turnê do álbum durou aproximadamente um ano e gerou o DVD homónimo com os melhores momentos do show.
Após quase cinco anos sem aparições relevantes Marisa voltou no primeiro semestre de 2006, quando lançou simultaneamente dois discos: “Infinito Particular” e “Universo Ao Meu Redor”, dedicados a canções inéditas do samba e da MPB no que resulta na criação da turnê Universo Particular.

Alinhamento
Marisa Monte – Não é fácil
Marisa Monte – Amor I love you
Maria Rita – Veja bem meu bem
Vanessa da Mata – A nossa canção
Adriana Calcanhoto - Devolva-me
Marisa Monte – Tema de amor
Tribalistas – Velha infância
Djavan – Se acontecer
Marisa Monte – Água também é mar

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Barco Ancorado 30/06/2008


Bob Sinclar vai ser o cabeça de cartaz da "Warm Up Night" do festival Sudoeste. O DJ e produtor francês actua a 6 de Agosto, a mesma noite em que se apresentam no palco principal Big Ali, Sexy Soundsystem e DJ Malvado.
Confirmada está, também, a presença da dupla de MCs brasileiros Cidinho & Doca, no dia 8 de Agosto. Os rappers são os autores do tema "Rap das Armas", da banda sonora do filme "Tropa de Elite".
O Sudoeste acontece de 7 a 10 de Agosto e contará com actuações de artistas como Björk, Franz Ferdinand, Chemical Brothers, Vanessa da Mata, Yael Naim, Tindersticks, Shout Out Louds, Deolinda e Goldfrapp, entre outros.

Christophe Le Friant é o rosto comum a vários projectos que vai assinando sob variadas formas. Na boa tradição da música de dança, a cada alter-ego corresponde uma área de exploração musical predominante. Como Bob Sinclar assina house/disco; The Mighty Bop é o disfarce para incursões pelo hip-hop e downtempo; o Réminiscence Quartet está reservado à memória do acid jazz. Além da criação de originais, Le Friant destaca-se na arte do Djing tocando os discos das colecções privadas de Chris The French Kiss e DJ Yellow (mais dois heterónimos) e ainda arranja tempo para remisturar, produzir e ser o responsável pela conhecida editora francesa Yellow Productions. Le Friant inicia-se, ainda adolescente, na actividade de disc jockey, em 1987. Passados cinco anos forma, com Alain Ho, a sua própria editora, pela qual edita vários álbuns de Mighty Bop, bem como de outros nomes conhecidos do french touch como Kid Loco. ou Dimitri From Paris.

Tentando transmitir alguma alegria à cena underground gaulesa, Le Friant vai buscar o nome Bob Sinclar a uma personagem de um popular filme francês "Le Magnifique", e, em 1997, grava o EP "A Space Funk Project". Um ano depois, no Verão de 98, "Paradise" estreia em França. Capa sugestiva, temas contagiantes e um ambiente technicolor de conquista e sedução retro-disco, que teve em "Gym Tonic" a sua rampa de lançamento. O tema começou por fazer furor na sua versão original, "Gym And Tonic", o produto de uma brincadeira a meias com Thomas Bangalter. dos Daft Punk. Construído a partir de um sample não autorizado recolhido num vídeo de ginástica de Jane Fonda, transformou-se num verdadeiro sucesso nas pistas de dança e foi promovido a hino em Ibiza, entre a indignação da actriz materializada pela ameaça de um processo, e as provocações e desinteligências entre os então ex-amigos.

Nada melhor do que polémica e atenção dos média para promover um artista e um disco, se bem que Bob Sinclar viria a provar que era apenas uma questão de tempo até se impor, por direito próprio, como uma das estrelas da nouvelle vague da dança francesa. Resolvidos os problemas legais, "Paradise" é então reeditado em todo o mundo, em 1999, já sem a inclusão do famoso sample aeróbico. Le Friant dedica-se, em seguida, a fazer remisturas para vários músicos, entre eles, Ian Pooley, Second Crusade,Tom & Joyce, Shazz, Towa Tei, Jestofunk ou Stardust . Em 2000, regressa com o projecto Mighty Bop, com uma colecção de remisturas intitulada "Spin My Hits", e no mesmo ano, sai novo álbum de Bob Sinclar, intitulado "Champs Elysees".

Alinhamento
Bob Sinclar – I feel for you
Bob Sinclar – Love generation
Manu Chao – Mister Bobby
Placebo – Meds (com Vv from the Kills)
Jamelia – No more
Bob Sinclar - Tennessee
Radiohead – The there
Bob Sinclar – World hold on (com Steve Edwards)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Barco Ancorado 27/06/2008


Jack Johnson actuou esta Quinta-feira no Pavilhão Atlântico. A sala lisboeta não lotou para receber o surfista cantor, ao contrário das suas duas últimas passagens pelo nosso país, nas quais teve casa cheia, tanto no Coliseu dos Recreios (2005) como no Atlântico (2006). Ainda assim, o músico havaiano não defraudou as expectativas dos presentes e protagonizou um concerto de duas horas, algures entre o profissional e o emocionante, sempre pleno de boas vibrações e, claramente, perante uma plateia de conhecedores.

O pretexto para o regresso a terras lusas era o de apresentar o novo e quarto disco, "Sleep Through The Static" e, assim, o início da actuação foi ao som de 'Hope', uma das faixas desse registo. Seguiu-se um alinhamento coerente, dividido entre os anteriores álbuns de originais e algumas incursões pelas várias bandas sonoras que Johnson editou ao longo da sua carreira.
O ambiente no Pavilhão Atlântico tinha tudo a ver com o cocktail sonoro da noite, assente na surf music com travo a country, blues, rock e reggae, sempre com uma toada melódica e melancólica. A concentração de havaianas, calções e demais trajes frescos de Verão era elevada, até porque a noite convidava a deixar os casacos em casa. Além disso, havia muitos casais de namorados que, certamente, se revêem nas muitas canções, ora mais românticas, ora mais lamechas, que o artista tem escrito para a sua mulher.

É inegável a entrega de Jack Johnson aos seus seguidores. O músico até pode não ser um comunicador nato, mas compensa essa falta de diálogo com o público em forma de músicas. Ao todo tocou cerca de trinta neste regresso a Portugal. Os temas de "In Between Dreams" continuam, claramente, a ser os mais esperados pelo público luso, ou não fosse esse um dos discos mais bem sucedidos do cantor no nosso país. Assim, 'Sitting, Waiting, Wishing', 'Good People', 'Better Together' e 'Breakdown' foram cantados em uníssono, alguns deles com direito a isqueiros e telemóveis no ar. 'Upside Down', da banda sonora do filme "Curious George", foi outra das músicas mais aclamadas da noite, bem como 'If I Had Eyes', o single de apresentação do mais recente trabalho. Ao longo da apresentação Johnson foi alternando entre o ukulele, a guitarra acústica e a eléctrica, esta última com forte presença nas composições de "Sleep Through The Static". G. Love e Mason Jennings, que actuaram, e bem, na primeira parte do espectáculo, haviam de juntar-se ao amigo havaiano para interpretar várias músicas, algumas delas coloridas pela harmónica de Love.

Entre os fãs «I love you Jack» foi frase recorrente e o músico devolveu os piropos, dizendo que «vocês são o melhor público» e «não me importava que me acompanhassem na minha digressão». A música de Jack Johnson pode ser apaziguadora e não levantar grandes ondas, em boa verdade é um mar flat a perder de vista, no entanto, nem por isso deixa de ser plena de emoção e das vibrações mais positivas e nada disso faltou em mais um espectáculo em terras lusas.

Alinhamento
Jack Johnson - Good people
Jack Johnson - Cocoon
Daniel Powter – Bad day
Sheryl Crow – Sweet child o´mine
Rob Thomas – Lonely no more
Jack Johnson – Wasting time
James Blunt – Same mistake
Coldplay - Clocks
Jack Johnson – Flake (com Ben Harper)

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Barco Ancorado 26/06/2008


Os britânicos The Verve lançam um novo álbum a 18 de Agosto. "Four" é o título do registo, o primeiro de originais a ser editado em 11 anos pela banda de Richard Ashcroft.
O longa-duração é antecipado pelo single 'Love Is Noise', que chegou esta semana às rádios britânicas e que, entretanto, foi disponibilizado para escuta no Myspace do grupo.
Recorde-se que os The Verve se reuniram em 2007, após um hiato de nove anos. "Urban Hymns" (1997) foi o último disco a ser editado pela banda, que se tornou num êxito em todo o mundo, à conta de temas como 'Bittersweet Symphony', 'The Drugs Don't Work', 'Sonnet' e 'Lucky Man'.

Foi com o cartão de visita "Bitter Sweet Symphony" que, decorridos quase dez anos desde o início da sua carreira, os Verve conseguiram alcançar uma projecção à escala mundial. Incluído no aclamado álbum de 1997, "Urban Hymns", o single foi produzido com base num sample de uma gravação sinfónica do tema "The Last Time", dos Rolling Stones.
"Bitter Sweet Symphony" serviu de rampa de lançamento à banda, ao mesmo tempo que a envolveu num processo legal com a editora responsável pelas composições mais antigas dos Stones, que conseguiu com a acção arrecadar a totalidade dos lucros dos direitos publicitários do tema.
Os Verve surgiram no norte de Inglaterra, em 1989, sob o impulso de Richard Ashcroft, Nick McCabe (guitarra), Simon Jones (baixo) e Peter Salisbury (bateria), e nos seus primeiros tempos de vida, o grupo dedicou-se à área do jazz e da soul.
A assinatura do contrato com a editora Hut foi apenas uma questão de meses e, em 1992, foi editado o primeiro single, "All in the Mind", que foi sucedido por "She's a Superstar" e "Gravity". O álbum de estreia, "A Storm in Heaven", surgiu um ano mais tarde e foi alvo de comentários muito positivos por parte da crítica. No entanto, o volume de vendas não correspondeu às expectativas.

No Verão seguinte, os Verve marcaram presença no festival norte-americano Lollapalooza, incluído numa digressão marcada essencialmente por contrariedades - Salisbury foi preso por ter destruído um quarto de hotel no Kansas e Ashcroft foi hospitalizado, vítima de uma grave desidratação. Foi também nesta altura que a banda se viu obrigada a alterar o nome para The Verve devido a uma outra acção judicial movida contra eles por parte da Verve, uma editora de jazz americana.
As gravações do segundo álbum do grupo, "A Northern Soul" (1995), decorreram sob uma sólida influência de ecstasy, e o resultado foi um som intenso e psicadélico bem diferente daquele apresentado no disco anterior.
O feitio difícil de Ashcroft começava a vir ao de cima, cada vez mais frequentemente, e as dificuldades de relacionamento entre os membros do grupo, levaram o músico a abandonar a banda três meses após a edição de "A Northern Soul".

O temperamento tempestuoso do líder do grupo acalmou algumas semanas depois, e Ashcroft regressou à banda, não tendo sido, no entanto, muito bem recebido por McCabe que, a princípio, recusou aceitar o retorno do cantor, deixando então o grupo. Simon Tong substituíu-o até 1997, data em que McCabe voltou a fazer parte da banda e em que o quinteto editou "Urban Hymns", disco que tornou os The Verve num dos grupos mais populares do Reino Unido e lhes proporcionou uma divulgação a nível internacional.
Em 1999, Richard Ashcroft confirmou os rumores que começaram a circular acerca do final dos The Verve e a banda terminou oficialmente a sua actividade no dia 28 de Abril. Agora, sabe-se que a banda vai lançar um novo álbum a 18 de Agosto. "Four" é o título do registo, o primeiro de originais a ser editado em 11 anos pela banda de Richard Ashcroft.

Alinhamento
The Verve – Lucky man
The Verve – Bitter sweet symphony
Keane – Everybody´s changing
Radiohead – No surprises
The Verve - Sonnet
Lenny Kravitz – Calling all angels
The Verve – The drugs don´t work