terça-feira, 7 de junho de 2011

Barco Ancorado 07/06/2011


Bono Vox, dos U2, e a assistente foram 'obrigados' a pedir uma boleia quando se viram presos no meio de uma chuvada numa rua de Vancouver, no Canadá. O irlandês acabou por ser bem sucedido e apanhou boleia com o jogador profissional de hóquei no gelo Gilbert Brule.
«Íamos em direcção ao parque para ir passear a nossa cadela Bella quando vimos duas pessoas a pedirem boleia e eu tive a sensação de que uma delas parecia o Bono», disse Brule citado pelo jornal local Edmonton Journal.

«Eu não queria parar mas o Gilbert continuou a dizer 'é o Bono, é o Bono'. Não acreditei e continuei a guiar. Mas depois ele lá me convenceu e demos a volta», conta a namorada do jogador Kelsey Nichols, que ia ao volante.
Quando pararam e os vultos se aproximaram do carro, Brule e Nichols perceberam que era mesmo o líder dos U2 e uma acompanhante. Os dois pediram boleia para Horseshoe Bay, comentando que foram apanhados no meio da chuva enquanto davam um passeio.

Bono agradeceu a boleia com a oferta de passes para os bastidores do concerto dos U2 em Edmonton, na passada quarta-feira. No passe de Nichols, Bono escreveu «obrigado pela boleia». No de Brule, o músico deixou a dedicatória: «o meu herói». O irlandês não se ficou por aqui, comentando no palco do concerto que «gosta de hóquei no gelo porque as pessoas que jogam hóquei são do tipo de pessoas que oferecem boleia a desconhecidos. Estou muito agradecido. Decidi que quero ser o Gilbert Brule».

Alinhamento
U2 – Electrical storm
U2 – Mysterious ways
R.E.M. - Man on the moon
INXS – Beautiful girl
Simple Minds – Don´t you forget about me
U2 – Still haven´t found what I´m looking for
Coldplay – In my place
Sting – After the rain has fallen
U2 – Window in the skies

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Barco Ancorado 06/06/2011


Os Tindersticks vão encerrar os concertos no palco principal do Festival Marés Vivas, a 16 de Julho, numa noite que conta também com a presença e actuações de Mika, The Cranberries e Aurea.
Pela primeira vez ao vivo no MVtmn, a banda britânica de Nottingham sobe ao palco para nos mostrar porque são considerados por muitos uma banda de culto. Comandados pela característica voz de Stuart Staples, os Tindersticks prometem uma viagem ao som de canções marcantes, como 'Tiny Tears' ou 'No More Affairs' que os consagraram ao longo de 20 anos de carreira. Estamos perante uma banda com um público fiel e devoto.

O MVtmn 2011 realiza-se de 14 a 16 de Julho. Os bilhetes custam entre os 25 euros (bilhete diário) e os 50 euros (passe de três dias). Até 14 de Junho (inclusive), o passe custa 45 euros. Os bilhetes VIP têm o preço único de 100 euros.

Veja em baixo os nomes confirmados para o Palco TMN:
14 de Julho - Natiruts, Manu Chao, Xutos e Pontapés
15 de Julho - Expensive Soul, Moby, Skunk Anansie, Classificados, Mendes e João Só
16 de Julho - Aurea, Mika, Cranberries, os Azeitonas, Mia Rose, Marcelinho da Lua e Tindersticks

Alinhamento
Tindersticks – The flicker of a little girl
Tindersticks – Let´s pretend
Cousteau – The last good day of the year
Madrugada – Honey bee
Mercury Rev – In a funny way
Tindersticks – Falling down a mountain
Nick Cave & The Bad Seeds – The ship song
The Divine Comedy – Come home Billy Bird
Tindersticks – Black smoke

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Barco Ancorado 03/06/2011


Liam Gallagher escolheu Bob Dylan como a nova vítima da sua reconhecida língua afiada.
Em entrevista ao Times, Gallagher não só afirmou que «Dylan não lhe diz nada como músico», como é um «sacana miserável [no original miserable cunt]».

O ex-Oasis e líder dos Beady Eye ainda condescende ao afirmar que gosta de 'Lay Lady Lay' - canção escrita em 1969 por Dylan - mas continua a atacar o veterano (e intocável) músico para expressar a sua irritação contra o regresso dos músicos dos anos 60 e 70 aos festivais de Verão: «todos esses tipos que tocam só sucessos são uns montes de esterco».

A ira do britânico foi atiçada quando questionado sobre se tinha comemorado os 70 anos de Bob Dylan.

Alinhamento
Oasis – Don´t look back in anger
Oasis – My wonderwall
The Verve – Bitter sweet symphony
Blur – Sweet song
Razorlight – Wire to wire
Oasis – Stand by me
Keane – Crystal ball
Coldplay - Yellow
Oasis – Sunday morning call

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Barco Ancorado 02/06/2011


Leonard Cohen vai receber o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras. O canadiano venceu a concorrência da escritora Alice Munro e o romancista Ian McEwan.
Cohen foi premiado não apenas pelo trabalho na composição de canções mas sobretudo pelas suas incursões no mundo da literatura. Falamos de obras de prosa como "O Livro do Desejo", "Filhos da Neve" e de poesia como "O Jogo Favorito" e "Flowers for Hitler".

Leonard Cohen é um dos homens que mudaram a história da música popular. Deu tragédia às canções de amor, mas da boa, daquela que qualquer adolescente sente mas não consegue transformar em estrofe-refrão, por mais que tente; daquela que os adultos querem experimentar, porque é como diz o ditado, arde mas cura. E fê-lo porque a exercitou em poesia de antologia, rimas nascidas entre paisagens de vénias à natureza e boémias urbanas. Em 1956 publicou o seu primeiro livro, "Let Us Compare Mythologies" e só teria o seu nome impresso na capa de um disco 11 anos depois, com "Songs of Leonard Cohen". Também antes assinou ficção, "O Jogo Favorito" (1963) e "Belos Vencidos" (1966), como se tivesse de fazer tudo, rápido, muito rápido.

Em palco, como nos últimos concertos que deu em Portugal, Leonard Cohen gera silêncio entre a assistência enquanto debita versos, que chegam a quem os ouve como memórias que nunca viveram. Difícil de explicar, é verdade, mas com um impacto fácil de reconhecer. A academia dos prémios Príncipe das Astúrias apenas o fez com maior impacto mediático.
O prestigiado prémio tem um valor monetário de 50 mil euros. Cohen vai receber o galardão das mãos do Príncipe Filipe de Espanha, em Outubro, na cidade de Oviedo.

Alinhamento
Leonard Cohen – Closing time
Leonard Cohen – I´m your man
Nick Cave – Into my arms
Bob Dylan – You belong to me
Joan Baez – The night they drove old Dixie Down
Leonard Cohen – Waiting for the miracle
Neil Young – Off the road
Lou Reed – Perfect day
Tindersticks – Factory girls
Leonard Cohen - Suzanne

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Barco Ancorado 01/06/2011


Não é fácil fazer jus ao novo espectáculo de Sufjan Stevens apenas com palavras. É uma experiência sensorial que anda em carrossel entre o ouvido e os olhos deixando marcas sensíveis ao toque.
Quem esperava os temas de "Illinois" ou "Seven Swans" ouviu-os ou logo ao início ou só no final. Porque a noite era da viagem cósmica, e «melodramática e psicótica» de "The Age of Adz", o mais experimental disco do multi-instrumentalista norte-americano. Sufjan Stevens esteve ontem à noite no Coliseu dos Recreios, em Lisboa.

A tarefa de passar "The Age of Adz" para o palco parecia hercúlea logo à partida, tal a quantidade de camadas que o registo guarda. Mas Stevens passa o teste com distinção. Melhor. Em palco, o músico consegue a rara proeza de encher ainda mais o som do que em disco. Para isso estão lá, com requintes barrocos, duas baterias, uma secção de metais, duas vozes femininas (que também são bailarinas), DM Stith sentado ao piano e um baixista e um guitarrista que também cantam. Todos eles sorridentes e genuinamente contentes de ali estar.
No meio, está Stevens com as suas coreografias de braços e a sua parafernália de caixas de ritmos e a guitarra com a homenagem ao homem que inspirou o disco (o artista e 'profeta' Royal Robertson) escrita em verde fluorescente. De resto, toda a tripulação do que o músico chamou de «nave sobre a vida e a morte e tudo o que está pelo meio» envergava fatos fluorescentes, o que provocava um efeito meio alucinogénico quando as luzes apagavam.

O espírito hippie nunca deixou de passear pelo palco do Coliseu dos Recreios. Desde o início com as asas de cisne (ou de anjo) e os 'voos' rasteiros sobre os teclados em 'Seven Swans' até ao fato de balões e as deambulações pelas colunas laterais do palco no final oficial com a epopeia de 'Impossible Soul'. Pelo meio, foram-se ouvindo embaladas entre longas espirais de dissonância e preceitos clássicos os temas mais recentes: 'Too Much', 'I Walked', 'Get Real Get Right', 'Vesuvius' e, com pompa e circunstância, 'Age of Adz'. Pelo meio, o alinhamento fez a travagem necessária com 'Futile Devices', 'The Owl and the Tanager' (a solo ao piano) e 'Enchanting Ghosts' (estas duas do EP "All Delighted People"). No ecrã, passavam ilustrações, animações e imagens em 3D num festim visual inquieto e electrizante.

Quando saiu de palco pela primeira vez, Stevens deixou satisfeitos os fãs de "The Age of Adz" e todos os outros com vontade de ir explorar o álbum. Mas faltava o mimo para os fãs de "Illinois" e, depois de uma paragem mais longa do que o habitual, o músico e a sua trupe apareceram despidos das suas personagens para oferecer uma arrepiante 'Casimir Pulaski Day' (cantada em coro pelo Coliseu) e o final festivo com o hino 'Chicago', coroado com balões coloridos a caírem sobre a plateia.
À saída já ninguém se lembrava que o Coliseu esteve apenas a meio gás para a estreia do músico na capital. Não deverá andar longe das listas de melhores concertos do ano o encontro da noite de ontem com Sufjan Stevens.

Alinhamento
Sufjan Stevens - Vesuvius
Sufjan Stevens – Age of Adz
Andrew Bird – Oh no
Beirut - Nantes
Sufjan Stevens – Too much
Anthony and The Johnsons – You are my sister
Sufjan Stevens - Chicago