segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Barco Ancorado 08/11/2010


Os REM revelaram que o seu novo álbum vai contar com as colaborações de Eddie Vedder, dos Pearl Jam, Patti Smith e de Peaches.

Com lançamento previsto para início de 2011, "Collapse Into Now" vai ser um álbum mais "comunicativo" do que o antecessor, de 2008, "Accelerate", como disse o baixista Mike Mills, em entrevista à publicação Spin: «Com "Accelarate" estávamos a tentar marcar uma posição fazendo música o mais curta e rápida possível. Por isso quisemos que este novo disco fosse mais aberto. Queríamos investir em mais variedade e não nos limitarmos a nenhum tipo de música. Há algumas canções calmas e lindas; há algumas boas em mid-tempo e há também três ou quatro temas rock».

Este é o 15º álbum de estúdio dos REM, gravado entre Berlim, Nashville e Nova Orleães, e a gastronomia de cada um destes sítios influenciou o resultado final: «Também é divertido viajar para as cidades de que gostamos e passar lá algum tempo. Depois de um dia de trabalho em estúdio é importante para nós sair e ir jantar fora, comer bem, sermos apenas amigos e passarmos tempo de qualidade juntos», acrescentou o músico. A produção ficou a cargo de Jacknife Lee que já colaborou com bandas como os Snow Patrol, por exemplo.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Barco Ancorado 05/11/2010


"Ave Mundi Luminar", o primeiro álbum a solo de Rodrigo Leão, faz 20 anos em 2010. Alvo de uma reedição, é agora mote para os espectáculos que vão ocupar os Coliseus de Lisboa e do Porto. A capital recebe a primeira dose de um espectáculo que viaja até ao universo particular do registo de estreia de Rodrigo Leão. Entre os previsíveis pontos altos deste concerto, está a subida a palco das 40 vozes do Coro de Câmara da Escola Superior de Música de Lisboa e o reencontro com a cantora lírica Ângela Silva.

Em exacto contraponto ao minimalismo deste primeiro momento de Rodrigo Leão, está o Cinema Ensemble, que sobe ao palco numa segunda parte. Em foco estarão os trabalhos mais recentes, que mostram a fórmula cada vez mais aprimorada do compositor.

Está prometida uma noite de paixão a partir das 21h30, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Os bilhetes custam entre 15 e 40 euros; já os Camarotes ascendem até aos 85 e 180 euros.

Alinhamento
Rodrigo Leão – Rosa (ft Rosa Passos)
Rodrigo Leão – A casa (ft Adriana Calcanhotto)
Jorge Palma – Canção de Lisboa
Deolinda – Lisboa não é a cidade perfeita
Rodrigo Leão – Vida tão estranha
Hoje - Gaivota
Clã – Depois do amor
Rodrigo Leão – Sleepless heart

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Barco Ancorado 04/11/2010


Totalmente recuperada da cirurgia ao coração a que foi submetida este ano, Cesária Évora não perdeu tempo e deitou mãos à obra para trabalhar no sucessor de "Nhô Sentimento" (2009). O novo disco é lançado a 29 de Novembro e chama-se "Cesária Évora &..." e é composto apenas por duetos (capa na foto).

No total são 19 temas que reunem cantores de literalmente todo o mundo: de Angola aos Estados Unidos, passando pela Sérvia, Polónia, Senegal, Brasil, Cabo Verde, Cuba, Espanha, França, Grécia, Itália, Mali e México.
A morna continua a ser o principal foco da diva dos pés descalços; o carismático 'Sôdade', por exemplo, volta a ser reinterpretado, desta feita lado a lado com Bonga. É a primeira participação africana num disco que conta também com Lura, Marisa Monte ou Salif Keita.

Mas estes são apenas alguns pontos de relevo de um disco que conta com o cubano Compay Segundo, o brasileiro Caetano Veloso, a grega Eleftheria Arvanitaki, ou o espanhol Pedro Guerra.
Entre discos originais, ao vivo e várias parcerias, Cesária Évora leva já 24 trabalhos editados. "Cesária Évora &..." é mais um passo para reforçar o seu estatuto como uma das maiores e mais respeitadas artistas da World Music.

Alinhamento
Cesária Évora - Xandinha
Cesária Évora - Sôdade
Lhasa de Sela – De cara a la pared
Lila Downs – La cumbia del mole
Cesária Évora – Papa Joachin Paris
Marisa Monte – Para ver as meninas
Madredeus – Por este rio acima
Cesária Évora – Tudo dia é dia

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Barco Ancorado 03/11/2010


De que é feita uma lenda? Se a resposta for de voz, talento, encanto natural e capacidade de entreter, então Michael Bublé está no bom caminho para figurar entre os grandes nomes do jazz.
Os dois concertos no Pavilhão Atlântico fecharam a Crazy Love Tour e, segundo o próprio, não podia terminar melhor porque confidenciou que esta foi a melhor audiência que teve nos seus 93 concertos em 32 países diferentes.
Começamos por um tema que faz parte do mais recente álbum "Crazy Love". 'Cry Me a River' abre o espectáculo. Mal começa a segunda canção, Michael Bublé pede as palmas do público e ninguém se fez rogado. 'All of Me' antecede a primeira grande revelação da noite. Depois de beijar o palco do Atlântico, e de admitir estar a sentir-se como o Papa, Michael Bublé arranca suspiros ao confessar (e exibe a aliança que o comprova) que está noivo.

'At This Moment', um tema popularizado por Billy Vera, continuou a emocionar o público que fez alguns momentos de silêncio para interiorizar as palavras sentidas da canção. Aqui Michael Bublé adverte que os seus concertos são muito mais que um desfile de música. "It's a party!" diz ele para legitimar a vontade contida em muitos de cantar, chorar, acenar e até dançar.
'Mack The Knife' traz um cheirinho ao jazz maroto dos anos 50 e ao saudoso Frank Sinatra, além de pôr toda a gente a cantar. O humor e as gargalhadas pontuam todo o espectáculo do cantor. O cenário até pode não ser muito ambicioso mas também não é preciso porque ele canta, dança, faz stand-up comedy e... encanta. É, assim, a rir, que Michael Bublé apresenta a sua banda. Um desfile de talentos.

Se havia algum resistente ao jazz rejuvenescido de Bublé, por esta altura estava rendido. 'I've Got The World On a String', de Frank Sinatra e 'Crazy Love', composto por Van Morrison, foram os momentos das lágrimas. Também Ray Charles teria ficado orgulhoso de ouvir o seu 'You Don't Know Me' interpretado por este jovem de 35 anos. Seguiu-se a versão de 'For Once In My Life' de Stevie Wonder.
'Man In The Mirror' e ' Billie Jean', de Michael Jackson, não foram além de alguns acordes mas já que o público estava todo de pé, Bublé aproveita e dispara com um clássico dançável 'Twist & Shout'. E já ninguém se senta até porque, enquanto interpreta 'All I Do Is Dream Of You', Michael Bublé delicia as fãs ao atravessar o Pavilhão Atlântico para chegar mais perto e cumprimentar todas as mãos que se lhe atravessaram no caminho.

Até ao final do concerto já ninguém tira partido dos lugares sentados. Seguem-se 'Save The Last Dance For Me', dos Drifters, 'How Sweet It Is', de Marvin Gaye e 'Heartache Tonight', dos Eagles.
Com o concerto prestes a terminar Michael Bublé dá a derradeira justificação do porquê de ser considerado um "lady killer": 'Haven't Met You Yet' faz as almas mais românticas acreditarem que o amor verdadeiro é possível.
As palmas das mãos já doem de tanto aplaudir quando Bublé volta a subir ao palco para um encore de cortar a respiração. Não foi à toa que Nina Simone conquistou o título de Godess of Music com a canção 'Feeling Good' - a sua primeira escolha.
Depois, 'Me And Mrs.Jones' faz muitas fãs decidirem ir no dia seguinte à Conservatória do Registo Civil mudar de apelido. Afinal, vale a pena achar que um bocadinho daquela música é nossa.
'Song For You' deixa os braços arrepiarem-se uma vez mais para a despedida de um concerto, ou melhor, de uma festa que foi uma autêntica ode à mulher, onde só faltou 'Hollywood'.

Alinhamento
Michael Bublé - Everything
Michael Bublé - Call me irresponsible
Josh Groban - Remember when it rained
James Morrison - You give me something
Michael Bublé - Haven´t met you yet
Jason Mraz - I´m yours
Norah Jones - Back to Manhattan
Michael Bublé - Me and Mrs Jones

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Barco Ancorado 02/11/2010


Num ano que está a ser parco em novos nomes interessantes, as revelações de 2010 têm vindo de cortes estéticos de gente mais batida, como é caso o novo álbum de Sufjan Stevens, o extraordinário "The Age of Adz" (capa na imagem), que afunda o músico de folk no universo electrónico.
Não que Sufjan Stevens não tivesse experimentado o formato mais robótico. O seu segundo álbum, "Enjoy Your Rabbit", de 2001, baseado no zodíaco chinês, foi a sua primeira aventura electrónica. Mas com repercussões que não se comparam às de "The Age of Adz", o primeiro álbum em que o músico norte-americano confia o poder das canções à mecânica electrónica.

Mas há mais mudanças. O homem do projecto dos 50 álbuns dedicados aos 50 estados norte-americanos abandonou a obediência temática em "The Age of Adz". A estrutura do novo disco é menos narrativa e conceptual e mais apoiada no impulso.
'Futile Devices', a faixa de estreia que ilude os ouvintes, mostra-nos o mesmo homem melodioso e pacato da guitarra acústica e do banjo que conhecíamos de "Michigan" e de "Illinois".
Depois, de 'Too Much' em diante, vem a revolução das máquinas que define "The Age of Adz" para a posteridade como um disco de electrónica vista da janela florida da folk.

Com polifonias manipuladas que a tecnologia desenrasca (Shara Worden, dos My Brightest Diamond, é uma das vocalistas contribuinte) e algumas rajadas de sintetizadores, Sufjan Stevens desloca o reino folk de Townes Van Zandt e Elliott Smith para o continente do experimentalismo electrónico dos Radiohead de "Kid A" e "Amnesiac" e dos Animal Collective.

Os arranjos de cordas, as vozes ou as flautinhas multiplicados pelos malabarismos da electrónica dão um força monumental às canções de Sufjan Stevens, que agigantam "The Age of Adz" para a dimensão de um novo épico.
Do serpenteado fragmentado de 25 minutos de 'Impossible Soul' à serenidade apianada de 'Vesuvius', "The Age of Adz" é uma obra colossal. À atenção para as contas finais do ano.

Alinhamento
Sufjan Stevens - Vesuvius
Sufjan Stevens – Futile devices
Thievery Corporation – Lebanese blond
Moby – Lift me up
Sufjan Stevens – Age of adz
Massive Atack – Rush minute
Sufjan Stevens – Too much