quarta-feira, 7 de julho de 2010

Barco Ancorado 07/07/2010


Jennifer Lopez aceitou o convite para celebrar o seu aniversário na abertura de um hotel no norte da ilha do Chipre, a parte ocupada pela Turquia, sem fazer ideia de que iria provocar um incidente diplomático com os residentes do sul, de maioria grega.
A cantora norte-americana está a ser criticada sobretudo pela comunidade grega e feminina: «é com choque que as pessoas do Chipre, especialmente as mulheres cipriotas gregas da República do Chipre e de qualquer parte do mundo, que ouvimos que Jennifer Lopez pretende estar na inauguração de um hotel na zona do Chipre ocupada pela Turquia», pode ler-se numa carta dirigida à cantora, citada pelo The Guardian.

O cerne da questão prende-se com o ponto sensível da relação entre a Grécia e a Turquia, desde que o país árabe respondeu com uma invasão do Chipre a um golpe de estado levado a cabo pela Junta Militar Grega em 1974. Desde aí a pequena ilha do Mediterrâneo ficou dividida em duas partes, se bem que a parte turca, a República Turca do Norte do Chipre, não tenha sido reconhecida oficialmente como Estado. Hoje em dia a disputa mantém as relações entre a Grécia e a Turquia em alta tensão.

A invasão turca em 1974 teve lugar no dia 20 de Julho, precisamente o dia marcado para o espectáculo de Lopez na inauguração do hotel de luxo. A coincidência, ou não, contribui para a indignação dos gregos: «os turcos fazem de tudo para oferecer segurança a pessoas como a Jennifer, mas apenas com vista a levarem as suas vontades avante. Será que o seu status como activista solidária lhe permite dar credibilidade aos raptores, ladrões, invasores e ocupantes turcos?», continua a questionar a petição.
O movimento até já saltou para o Facebook, onde já ultrapassou a marca dos 7 mil assinantes. Do lado turco, apenas chega a confiança de que o espectáculo vai ter lugar com «muitas surpresas para a cantora».

Alinhamento
Jennifer Lopez – Love don´t cost a thing
Jennifer Lopez – If you had my love
Christina Aguilera – Oh mother
Mariah Carey – Open arms
Jennifer Lopez - Brave
Destiny´s Child – Say my name
Beyoncé – If I were a boy
Jennifer Lopez – Waiting for tonight

terça-feira, 6 de julho de 2010

Barco Ancorado 06/07/2010


A Route 66 foi estendida a Cascais graças à estreia exemplar de Chris Isaak em palcos nacionais. Não foram vistas panquecas de frutos silvestres, nem cherry colas em nenhuma ementa; a estrada não era infindável, e não tinha a meio-caminho hamburguerias com aquelas jukeboxes; não havia quiosques de venda de bolacha americana; e a gentinha não vestia aquelas camisas havaianas tão vivas. Havia Chris Isaak e a encarnação do velho imaginário americano em todos os segundos das duas horas de concerto no Parque Marechal Carmona.

Com uma popa de cabelo à Elvis (ainda impecável), um fato de lantejoulas à Elvis, abanões de ancas à Elvis, colocação de voz à Elvis, Chris Isaak desafiou a sua aparência mostrando ser algo mais do que apenas uma sombra pálida do seu mestre ou que um cromo de um rock quase pacóvio. Apesar da discrição, Isaak é muito mais que isso. Ele e o seu quinteto trouxeram uma bagagem musical do tamanho da América. Dava para tudo. Tocaram baladas ao melhor estilo oldies ('You Don't Cry Like I Do' é o melhor exemplo); apresentaram ora um rock mastigado de country, ora um rock avermelhado pelos acordes do diabo; picaram no blues mais puro; e ainda fizeram um número de gospel.

A interpretação de 'Wicked Game', perfumada por aqueles acordes de guitarra surf-music em slow motion, expôs a elasticidade da voz enorme de Chris Isaak; o possuído 'Baby Did a Bad, Bad Thing' atraiu miúdas giras ao palco; e, já num encore que contou com os obrigatórios 'Blue Hotel' e 'San Francisco Days', a versão de '(Oh) Pretty Woman' de Roy Orbinson assentou que nem uma luva naquele alinhamento. Depois, veio o desalinhamento, nas jams comemorativas do final da digressão europeia (este era o último concerto). E aí ficou ainda mais transparente a maleabilidade e qualidade instrumental de Chris Isaak e dos seus comparsas que tocaram no céu quando fecharam o concerto com a interpretação da canção de embalo 'Forever Blue' que a fantástica noite estrelada pedia.

Na memória, fica também um momento especialmente meigo quando Chris Isaak, no seu percurso completo pela plateia, canta o clássico 'Love Me Tender' para cada membro feminino da assistência com uma atenção igualitária, sem atender a desigualdades de idade ou de beleza... Um gesto de cavalheirismo numa noite em que Elvis voltou a não morrer graças a Chris Isaak.

Alinhamento
Chris Isaak – Wicked game
Chris Isaak – Blue Hotel
Chris Rea – The blue café
Elvis Costello - She
Neil Diamond – You don´t bring me flowers
Chris Isaak – Forever blue
Bryan Adams – Have you really loved a woman
Art Garfunkel – Bright eyes
Chris Isaak – Only the lonely

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Barco Ancorado 05/07/2010


Björk é uma das convidadas do novo disco de Antony and the Johnsons, "Swanlights" (capa na imagem). A islandesa canta em dueto com Antony Hegarty no tema 'Flétta', retribuindo o favor do britânico, já que este canta em 'The Dull Frame of Desire' e 'My Juvenile', ambos temas do último álbum de Björk, "Volta".

O quarto longo do projecto liderado pelo músico britânico chega às lojas no dia 11 de Outubro. O disco vai ter direito a uma edição especial que inclui um livro de 144 páginas, com ilustrações e colagens assinadas por Hegarty.

Alinhamento
Antony and the Johnsons – You are my sister
Antony and the Johnsons – Hope there´s someone
Rufus Wainwright – Going to a town
My Brightest Diamond – From the top of the world
Antony and the Johnsons – The atrocities
Joan as Police Woman – To America (ft Rufus Wainwright)
Ed Harcourt – Kids (rise from the ashes)
Ane Brun – Sleeping by the Frys River
Antony and the Johnsons – Perfect day (ft Lou Reed)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Barco Ancorado 02/07/2010


Os Portishead prometeram que vão começar a trabalhar no sucessor de "Third" o mais brevemente possível.
Em entrevista à BBC, Geoff Barrow, o homem forte da composição dos Portishead, revelou que o grupo acabou de assinar com uma grande editora, com a etiqueta a prometer dar-lhes toda a liberdade necessária: «vamos voltar a trabalhar com pessoas em quem confiamos. A melhor editora do mundo. Eles disseram que podemos fazer o que quisermos. Pelos vistos vendemos discos suficientes para os deixar felizes», comentou Barrow, dando a entender que o trio assinou com a norte-americana Universal Music, a editora-mãe da Go Beat e da Island, as etiquetas com as quais os Portishead editaram anteriormente.

Barrow continua a assegurar aos fãs de que o grupo não vai voltar a demorar mais de dez anos para lançar novos álbuns, tal como aconteceu entre "Portishead" (1997) e "Third" (2008): «estarei a escrever para os Portishead entre Julho e Agosto. Quero lançar um novo disco. Espero que este fique pronto mais rápido, já que estamos mais velhos e sábios».
Quanto à direcção musical do novo álbum, Barrow dá como exemplo o tom mais electro do single 'Chase the Tear', lançado no passado mês de Dezembro pelo trio.

Na mesma entrevista, o músico inglês também deixou algumas palavras mais amargas para o público e os media britânicos: «o "Third" portou-se bem, mas tivemos pouco apoio no Reino Unido, porque não representamos uma boa parte da paisagem demográfica do país. Mas actuámos no Festival de Coachella [nos Estados Unidos] e foi espectacular».

Alinhamento
Portishead – Wandering star
Portishead – Machine gun
Massive Atack – Saturday come slow (ft Damon Albarn)
Lamb - Wonder
Portishead – Glory box
Morcheeba – Bullet proof
Tricky – Evolution revolution love
Portishead – Sour times

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Barco Ancorado 01/07/2010


Gabriella Cilmi está de regresso ao nosso país para três concertos em Ílhavo, Torres Novas e Alcoutim.
As três datas nacionais levam a australiana desde o centro do país até ao interior algarvio, uma viagem pelas várias paisagens portuguesas que entusiasma, desde já, a jovem cantora dos antípodas: «Vai ser divertido. Só toquei em Vila Nova de Gaia da outra vez. Estou ansiosa por viajar para outros sítios no País».

Cilmi ganhou popularidade internacional graças ao single 'Sweet About Me', quando tinha apenas 16 anos. Nada mau para uma rapariga que nunca quis ser cantora: «Provavelmente seria guia de um museu cheio de histórias de batalhas sangrentas».
Quando questionada sobre a razão para a determinação demonstrada por vários australianos de tenra idade, Cilmi mete as culpas no clima: «Acho que poderá ter que ver com o sol e com o facto do buraco na camada do ozono estar mesmo por cima da Austrália», 'explica', ela que escolheu a chuvosa Londres para viver.

O pretexto para o regresso a Portugal é o segundo disco, "Ten", um registo mais insuflado de disco e funk do que o seu antecessor, "Lessons to be Learned": «Quando era mais nova ouvia estações de rádio que só passavam músicas dos anos 60 e 70. Além dos discos dos meus pais, que ouvia a toda a hora. A minha década preferida é sem dúvida os anos 70. Adoro rock psicadélico. Sou uma fã de Janis Joplin e de Jimi Hendrix».
Os concertos da australiana no nosso país acontecem esta quinta-feira (1 de Julho), no Centro Cultural de Ílhavo, amanhã (2 de Julho) Nas Festas de Torres Novas e no sábado (3 de Julho), em Alcoutim.

Alinhamento
Gabriella Cilmi - Sanctuary
Gabriella Cilmi – Sweet about me
Sugababes – Caught in a moment
Girls Aloud – I´ll stand by you
Duffy – Stepping stone
Gabriella Cilmi – Save the lies
Leona Lewis – Better in time
Katie Melua – Just when I needed you most
Gabriella Cilmi – Don´t wanna go to bed now