sexta-feira, 5 de junho de 2009

Barco Ancorado 05/06/2009


Os Yo La Tengo preparam-se para lançar um novo álbum, “Popular Songs”, no dia 8 de Setembro. O sucessor de “I am not afraid of you and I will beat your ass”, editado em 2006, sairá pela Matador, a etiqueta que lançou todos os discos do trio desde “Painful”, de 1993.
Segundo a editora, o novo registo foi gravado no início do ano em Hoboken, a terra natal dos Yo La Tengo, com o produtor e colaborador de longa data, Roger Mountenot.
A Matador está a oferecer uma das faixas do disco, intitulada “Periodically double or triple”, para download gratuito.

Os Yo La Tengo formaram-se em New Jersey, no início da década de 80, mais precisamente em 1984, por iniciativa do vocalista e guitarrista Ira Kaplan, e da sua mulher, Georgia Hubley (bateria/voz). Em seguida, a dupla iniciou a busca por outros músicos, nomeadamente um baixista, através de anúncios em várias publicações. A estabilização do núcleo do colectivo consumou-se um ano mais tarde, depois da edição do primeiro single, "The River Water", com as entradas do guitarrista Dave Schramm e do baixista Mike Lewis. Mas, a formação, claramente inspirada pelo som de bandas como os Velvet Underground, haveria de sofrer ainda mais alterações durante os anos seguintes.

A edição do primeiro álbum dos Yo La Tengo, "Ride the Tiger", foi antecipada pela saída de Schramm e Lewis. O segundo álbum, "New Wave Hot Dogs", contou com a participação de Stephen Wichnewski (baixo). As semelhanças entre a música criada pelos Yo La Tengo e a dos Velvet Underground ficou, com este disco, consideravelmente mais marcada. "President Yo La Tengo", o terceiro longa duração chegou em 1989, um ano antes de "Fakebook", um álbum de versões e de originais, que voltou a contar com o contributo do regressado Dave Schramm.

Em 1992, os Yo La Tengo regressaram aos discos com "May I Sing With Me", um disco que contou com a participação de James McNew, o novo baixista. Um ano depois, e já na editora Matador, o grupo editou "Painful". "Electr-o-Pura" chegou às lojas em 1995, e doze meses depois foi a vez de "Genius + Love Equals Yo La Tengo", um disco em jeito de compilação, que incluiu uma série de faixas nunca antes editadas. "I Can Hear the Heart Beating as One", de 1997, precedeu "And the World Turned Itself Inside Out" em 2000. Em 2002, surgiu "The Sounds of the Sounds of Science", um registo que "serviu" como banda sonora para uma série de documentários subaquáticos do cineasta francês Jean Painleve. "Summer Sun", um novo álbum de originais, chegou ao mercado em Abril de 2003. Três anos depois seria a vez de “I am not afraid of you and I will beat your ass”. Para Setembro está previsto o lançamento do novo disco dos Yo La Tengo.

Alinhamento
Yo La Tengo – Black flowers
Yo La Tengo – I feel like going home
Belle and Sebastian – I´m waking up to us
Mercury Rev – Butterfly´s wings
Lambchop – Up with people
Yo La Tengo -Mr. Tough
The Jesus and Mary Chain – Just like honey
The National - Slow show
Camera Obscura – Tears for affairs
Yo La Tengo – The race is on again

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Barco Ancorado 04/06/2009


O clássico álbum dos Pavement, “Brighten the Corners”, de 1997, vai ser novamente reeditado numa versão de luxo já no próximo dia 23. A edição especial, a sair pela etiqueta Matador, é composta por quatro vinis com versões ao vivo, lados B e ainda oito temas não incluídos na reedição do ano passado.
Segundo a loja online Insound, cinco desses temas nunca foram editados anteriormente. Entre eles, conta-se “Agony of the Stars”, que fez parte do filme “Sweethearts”, de 1996, com o próprio líder dos Pavement, Stephen Malkmus, no elenco.

Os mais fiéis fãs do grupo que só trouxera novidades à música nova americana desde 1989, não queriam acreditar que o tal álbum chamado "Terror Twillight" fosse mesmo o último. O grupo chamava-se Pavement e editava em 1999 o derradeiro disco de originais. O que se passava na cabeça dos mentores do grupo ficou bem patente quando os Pavement, no seu último concerto em Londres, apareceram com o vocalista Stephen Malkmus algemado ao microfone e berrando "...isto é o que sentimos quando pertencemos a uma banda."
Este mesmo Stephen e Scott Kannberg fundaram os Pavement à beira do início da década de 90 em Stockton gravando o primeiro single "Slay Tracks" no único estúdio disponível no local e com a colaboração do dono do estúdio na bateria. Scott (que durante a gravação se rebaptizou Spiral Stairs) voltou à loja de discos punk onde trabalhava e Malkmus viajou até à Alemanha onde, para sua surpresa, encontrou o seu single nas importações. Nasciam os Pavement.

A carreira de dez anos dos Pavement foi bem cheia de eventos. Editaram 5 álbuns, umas boas dezenas de singles, calcorrearam o mapa dos Estados Unidos da América com a sua música descomprometida, desgarrada, inovadora, saíram também para o mundo, tendo fatalmente falhado um palco português, chegaram a gravar o single "Cut your hair" em pleno show de Jay Leno e ganharam certamente forte notoriedade no circuito das Universidades.
Depois acabaram... muita gente adiantou zangas, mas tudo indica que foi principalmente o cansaço a causa principal, ou não viesse claramente numa informação da editora Domino que o grupo parava a partir de 2000 para reflectir, refazer vidas e constituir famílias ou mesmo para velejar placidamente à volta do Mundo.

Não é de ignorar que as críticas a "Terror Twillight" desagradaram aos Pavement a ponto de declararem: “Após dez anos os nossos discos começaram a ser criticados por putos que não cresceram connosco ou por tipos que já não são novos o suficiente para perdoarem o ainda andarmos por cá!"
Stephen Malkmus foi o primeiro a reaparecer a solo e a conseguir resultados de exposição e vendas iguais ou superiores aos conseguidos pelos Pavement. Agora, o Scott que se chama Spiral Stairs e que voltou para a sua Califórnia, aparece com o seu projecto Preston School Of Industry.

Alinhamento
Pavement - Here
Pavement - Stereo
Sonic Youth - Superstar
Pixies – Bone machine
Tindersticks – The other side of the world
Pavement – The killing moon
The Divine Comedy – Come home Billy Bird
Antony and The Johnsons – Hope there´s someone
Nick Cave and The Bad Seeds – The ship song
Pavement – Summer babe

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Barco Ancorado 03/06/2009


Os James passam pelo Festival Rock One, no Algarve, no dia 7 de Agosto. Tim Booth e companhia são a nova confirmação do evento do Autódromo Internacional do Algarve, em Portimão, depois de também terem sido anunciados os Offspring para a programação do dia 8 de Agosto.
Bloc Party e James Morrison são os outros artistas confirmados para a primeira edição do Rock One, a decorrer entre 5 e 8 de Agosto.
Os bilhetes já estão à venda por preços que variam entre os 5 euros (para crianças) e os 1.500 euros (bilhete VIP).

Desde o seu início que os James foram comparados aos Smiths. Hoje são uma instituição da música britânica dos anos 80 e 90, graças à sua música de cariz pop, que faz uma fusão bem conseguida e harmoniosa com a folk. No começo da sua carreira foram abençoados pelo seu ídolo Morrisey e logo considerados os sucessores dos Smiths. Os álbuns e os concertos sucederam-se, conferindo-lhes dimensão internacional e estatuto. No final dos anos 80, como muitas outras bandas britânicas, fizeram uma ingressão na cena acid-house. Com o tema "Sit Down", chegam ao mainstream. Logo depois, trilham um caminho mais experimental que culmina com uma colaboração com Brian Eno, que resultou num dos seus álbuns mais bem sucedidos, "Laid", em 1993. Ficam quatro anos sem gravar, mas quando voltam têm à sua espera uma extensa massa adepta. O culto estava instalado.

O segundo trabalho dos James, editado em 1988, é de cariz mais folk e dá pelo nome de "Strip Mine". No entanto, não conseguiu captar a energia dos concertos ao vivo. Já o álbum ao vivo "One Man Clapping" chegou ao primeiro lugar das tabelas independentes. Com a formação renovada, em 1990 os James editam "Gold Mother", que gerou "Sit Down", tema que galgou até ao segundo lugar dos tops britânicos. "Seven", "Laid","Wah Wah", "Whiplash", "Millionaires" e "Pleased To Meet You" foram os trabalhos seguintes, até que o vocalista Tim Booth anunciou a sua intenção de abandonar a banda para se dedicar à escrita e à representação.

No final de 2001, os James editaram um conjunto de lados B e raridades, intitulado "Ultra: B Sides".
Tim Booth já se tinha estabelecido a solo e lançou o álbum de estreia "Bone". No início de 2007, Booth anuncia no seu site que vai reunir-se com os James para um série de concertos. Em entrevistas subsequentes, o vocalista anuncia mesmo que a banda tem novo material. Quando voltam aos palcos no final de Janeiro, os James são a formação que gravou "Laid". A digressão acaba por passar por grandes eventos como o T in The Park, V Festival ou o Summercase de Barcelona.
Em Abril de 2008, é editada uma nova colectânea intitulada "Fresh As a Daisy - The Singles", acompanhada de um DVD com todos os vídeos de promoção da banda. Esta edição antecedeu o lançamento do décimo registo de estúdio dos James, "Hey Ma", o pretexto para o regresso ao nosso país e a passagem por várias semanas académicas em todo o país em Maio e pelo Super Bock Super Rock no Porto, em Julho.

Alinhamento
James - Sometimes
James - Laid
Morrissey – Everyday is like sunday
REM - Nightswimming
Simple Minds – Don´t you forget about me
The Cure – Love cats
James – Sit down
The Housemartins – Caravan of love
The Smiths – Ask
U2 – No line on the horizon
James – Born of frustration

terça-feira, 2 de junho de 2009

Barco Ancorado 02/06/2009


Segundo o ex-roadie James 'Tappy' Wright, a morte do guitarrista norte-americano Jimi Hendrix em Setembro de 1970 por asfixia com o próprio vómito foi causada por Michael Jeffrey, empresário do músico.
O jornal britânico 'Mail on Sunday' diz que a revelação é feita em 'Rock roadie', livro inédito de Wright. Segundo o ex-roadie, Jeffrey estava bêbado quando confessou ter entrado no quarto de hotel onde o guitarrista dormia e ter forçado Hendrix a engolir comprimidos para dormir e uma garrafa de vinho tinto.

Wright conta que a confissão aconteceu em 1971, durante uma conversa com o empresário embriagado. Jeffrey disse que Hendrix “morto valia mais para ele do que vivo”, porque seria o beneficiário de um seguro de vida do músico no valor de 2 milhões de dólares. Jeffrey acreditava que o guitarrista o trocaria por um novo empresário.
“Ainda me lembro como se fosse hoje dessa conversa”, diz Wright no livro. O ex-roadie chega mesmo a citar Jeffrey na altura da confissão: “Estava em Londres na noite da morte do Jimi, junto a velhos amigos. Fomos até ao quarto de hotel da Monika (a namorada de Hendrix na altura), juntámos uns quantos comprimidos e empurrámo-los para dentro da boca do Jimi, junto a algumas garrafas de vinho tinto que despejámos para dentro da sua traqueia.

o empresário de Jimi Hendrix morreu dois anos depois da suposta revelação, num acidente de avião. Segundo Wright escreve agora, o empresário estava preocupado com um possível despedimento. Jimi Hendrix morreu no dia 18 de Setembro de 1970, em Londres. A porta do seu apartamento estava aberta, e não se sabe quem teria chamado a ambulância e quem encontrou o guitarrista.

A morte de Hendrix num quarto de hotel em Londres, sempre foi acompanhada da suspeita de assassinato, na altura com a namorada Monika Dannemann como alvo de todas as acusações. O relatório final da autópsia declarou que Hendrix faleceu devido a asfixia com o próprio vómito, depois de uma intoxicação com barbitúricos. O guitarrista tinha apenas 27 anos.

Alinhamento
Jimi Hendrix - Voodoo child
Jimi Hendrix - Cocaine
Led Zeppelin - Whola lotta love
The Doors - Five to one
The Who - Teenage wasteland
Jimi Hendrix - Hey Joe
Rolling Stones - Like a rolling stone
Creedence Clearwater Revival - Up around the bend
Janis Joplin - Me and Bobby McGee
Jimi Hendrix - Purple haze

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Barco Ancorado 01/06/2009


Rokia Traoré passou por Portugal e, como se previa, encantou. Perante um público tão diverso como a sua música, a cantora, letrista e guitarrista do Mali entrou suave e apaziguadora, mas cedo empregou a sua voz de comando, espécie de toque de despertar das tribos reunidas. Ao longo de mais de duas horas de concerto no Lux Frágil, Rokia foi guerreira e pacifista, cantou a mulher negra e as dores da tradição, com o público a corresponder quase sempre.
O Barco Ancorado desta segunda-feira propõe-se dar a conhecer a música de Rokia Traoré.

Rokia Traoré abriu o concerto de Lisboa com “Yaafa N´ma” numa atitude muito zen e num movimento ondulante dos braços. Mas foi ainda no início que soltou um grito libertador e imprimiu mais violência ao jogo de ancas. Como que a tactear a audiência, a cantora foi prolongando os intervalos entre as músicas, falando ora um inglês macarrónico ora um francês francamente melhor.

Foi justamente na língua do amor que Rokia cantou “Aimer” e depois o verso “je suis zen”, pondo leveza nos corpos transpirados que enchiam a sala do Lux Frágil e já não paravam de dançar. Pelo meio, serviu-se de chocalhos para pontuar as palavras, acrescentar vírgulas ritmadas e exibir as suas notáveis qualidades de performer. Em absoluto transe vocal e físico, rendeu homenagem a Billie Holiday com “The Man I Love” e arrancou sorrisos abertos por causa dos sublinhados na voz. Terminou a dizer “I am a wonderful modern woman”, debaixo de fortes aplausos.

De guitarra ao ombro, Rokia trouxe para Lisboa a África das mantras e dos rendilhados musicais, mas também a África magoada que emigra à procura de melhor sorte. Num tom pausado, uniu a tradição à modernidade e deixou claro que a mulher africana também é uma senhora. No primeiro regresso ao palco, recordou a infância passada nas ruas de Kamako em atmosfera de 'disco sound' improvisado e cedeu o lugar de destaque à sua voz de apoio.
Na sua passagem por Lisboa, Rokia mostrou o que é isso de ser young, gifted and black, um pouco à semelhança da mítica canção de Nina Simone.

Alinhamento
Rokia Traoré - Kounandi
Rokia Traoré - Koronoko
Baba Salah – Fady Yeina
Oumou Sangaré - Wayena
Ali Farka Touré - Karaw
Tidawt - Ariyalan
Rokia Traoré – Aimer
Adama Yalomba – Politique
Tinariwen – Aldachan manin
Sedoum EhlAida – Ya moulana
Rokia Traoré - Tchamanché