terça-feira, 7 de abril de 2009

Barco Ancorado 07/04/2009


Depois de um concurso na internet feito em 2007 e mais de um ano a gravar o álbum, Stuart Murdoch, líder dos escoceses Belle & Sebastian anunciou finalmente o lançamento do seu projecto a solo para o mês de Junho nos EUA e Europa.
Catherie Ireton, vocalista do projecto chamado 'God Help The Girl', também canta no duo 'The Go Away Birds'. Apesar do concurso ter sido aberto a participantes de todo o mundo, Murdoch acabou por escolher uma amiga da banda – Ireton apareceu na capa do single dos Belle & Sebastian “White collar boy”, de 2006.
O primeiro single chama-se “Come monday night” e já pode ser ouvido em streaming no site da gravadora Matador. Além de Ireton, outras cantoras reveladas no concurso cantam no disco, como a norte-americana Brittany Stallings, que gravou a faixa “Funny little frog”.
O projecto conta com a colaboração de membros dos Belle & Sebastian, além de faixas gravadas com uma orquestra com 45 músicos e da participação de Neil Hannon (Divine Comedy) e Asya (Smosh).

Inicialmente criados para um projecto de final de curso de Stuart Murdoch, o seu mentor, os Belle & Sebastian, que devem o seu nome a uma série de desenhos animados francesa, foram além das expectativas de qualquer um dos seus membros, tornando-se um dos principais representantes da chamada pop de câmara britânica.
Com base em Glasgow, na Escócia, o quinteto reuniu-se quando Stuart Murdoch regressou de Londres, onde tinha ido procurar o líder dos seus grandes ídolos, os Felt. Desiludido por não encontrar Lawrence Hayward, o músico volta para Glasgow, onde ingressa na universidade. É nessa altura que começa a escrever contos e canções, formando os Belle & Sebastian para concluir uma cadeira da faculdade. Sarah Martin (violino), Stevie Jackson (guitarra), Chris Geddes (teclas), Stuart David (baixo), Richard Colburn (bateria) e Isobel Campbell (violoncelo) foram os eleitos por Murdoch para integrarem aquele que garantiram não passar de um projecto académico.

O destino trocou as voltas ao septeto dos Belle & Sebastian, que em Maio de 1996 lança "Tigermilk", numa edição de apenas mil cópias. O sucesso bate, inesperadamente, à porta da banda, que passa a encarar-se como tal e, no final do mesmo ano, edita, pela editora independente Jeepster, "If You're Feeling Sinister", disco aclamado pela quase totalidade da imprensa britânica.
Os ecos da revelação vinda da Escócia chegam, entretanto, aos EUA, onde a banda tem de cancelar uma digressão de considerável importância, dada a falência da Enclave, subsidiária da EMI que distruibuía o álbum em território norte-americano.
Seguir-se-iam, em 1997, "Dog on Wheels", "Lazy Line Painter Jane" e "3, 6, 9 Seconds", três EPs que confirmam o privilegiado estatuto dos Belle & Sebastian junto da crítica, antecipando um contrato com a editora Matador, pela qual é lançado, no final do ano, "The Boy With The Arab Strap".

Depois da reedição de "Tigermilk" e da saída do álbum de 2000, "Fold Your Hands Child, You Walk Like a Peasant", o baixista Stuart David deixa os Belle & Sebastian, para se dedicar ao seu projecto a solo, os Looper. Depois de o substituirem, os Belle & Sebastian gravam mais dois Eps - "Jonathan David" e "I'm Waking Up To Us" - e a banda-sonora de "Conta-me Histórias", de Todd Solondz, o mesmo realizador do filme "Felicidade".
Para promover o registo, lançado na Primavera de 2002, o grupo realiza uma extensa digressão pela América do Norte, actuando em Portugal, num concerto inserido no cartaz do Festival do Sudoeste. E seria precisamente no decorrer dessa tournée que Isobel Campbell abandonaria o colectivo. Um ano mais tarde, os Belle & Sebastian regressam aos discos com "Dear Catastrophe Waitress", um disco que contou com dois singles de sucesso, 'Step Into my Office' e 'I'm a Cuckoo'. Três anos depois, a banda escocesa lançou um novo álbum intitulado "The Life Pursuit".

Alinhamento
Belle & Sebastian - Expectations
Belle & Sebastian – If she wants me
Camera Obscura – Tears for affairs
I'm From Barcelona – Music killed me
Belle & Sebastian – I´m a cuckoo
Sufjan Stevens – To be alone with you
Andrew Bird – Oh no
Arcade Fire – Crown of love
Belle & Sebastian – I´m waking up to us

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Barco Ancorado 06/04/2009


A cantora brasileira Cibelle vai regressar em Setembro ao nosso país, com o seu terceiro disco de originais. A informação é avançada pelo blog Drops Cultural, que falou com a artista no final de um concerto que teve lugar na passada semana em Brasília.
Do alinhamento do espectáculo fizeram parte canções como “Green Grass”, um original de Tom Waits, que Cibelle gravou para o seu segundo disco, “The Shine of Dried Electric Leaves”, editado em 2006. A cantora também cantou “London, London”, uma versão de um original de Caetano Veloso, que em disco Cibelle canta ao lado de Devendra Banhart.

Cibelle é uma cantora paulistana radicada em Londres desde a década de 90. Lançada sob o mesmo selo de Bebel Gilberto, à primeira audição pode até parecer mais uma da turma do sussurro, mas, de cara, foi possível rapidamente perceber um senso de aventura e experimentalismo que não se encontra em Bebel, nem em qualquer outra cantora brasileira da mesma geração. A nítida influência da bossa-nova, em especial do maestro Tom Jobim, as colagens que lembram o tropicalismo de Caetano e a batida electrónica da lounge music fazem do trabalho de Cibelle algo único na música moderna.

Cibelle começou por se notabilizar como a voz do álbum "São Paulo Confessions", primeiro e único disco do produtor jugoslavo Suba, falecido num incêndio. A solo, Cibelle estreou-se com um álbum homónimo, em 2003, bem recebido pela imprensa internacional. Cantando em inglês e português, Cibelle mistura originais e versões, música brasileira e electrónica, numa voz doce que de imediato lhe rendeu numerosos fãs.
O percurso da brasileira na música começou na infância, altura em que aprendeu a tocar piano, guitarra e percussão no Conservatório. A cantora cita como maior influência o dia em que a mãe a levou ao teatro - Cibelle tinha, na altura, seis anos, e assistir a espectáculos «de orquestras e quartetos de cordas» tornou-se um vício. Além de música, a brasileira já deu provas como actriz, gravando «muita propaganda» no seu país. O trajecto de actriz foi interrompido pela opção pela música.

No primeiro disco, Cibelle contou com a ajuda do produtor de São Paulo Apollo Nove; no segundo, de título "The Shine of Dried Electric Leaves", repetiu esta parceria, acrescentando-lhe Mike Lindsay e Yann Arnaud. Entre os convidados especiais deste trabalho, gravado entre São Paulo e Londres e editado na Primavera de 2006, destaque para Devendra Banhart, na versão para 'London, London' de Caetano Veloso, Seu Jorge e Spleen, o colaborador francês das CocoRosie. Spleen e Cibelle dão vida a 'Mad Man Song', canção feita apenas de vozes e pequenos ruídos.
Cibelle diz que gosta de olhar para a sua vida como um laboratório, no qual joga simultaneamente os papéis de cobaia e cientista. A artista esteve em Portugal em 2003, para uma actuação no Festival Sons Em Trânsito, em Aveiro, regressando em 2006, para showcases na FNAC e no Cotonete, assim como para um concerto na Casa da Música, integrado no Festival Mestiço.
Este ano, Cibelle regressará para apresentar o seu terceiro disco de originais.

Alinhamento
Cibelle – London, London
Cibelle – Green Grass
Bebel Gilberto – O caminho
Nouvelle Vague – This is not a love song
Feist – One evening
Andrew Bird - Plasticities
Cibelle – Mad man song
Bjork – Hidden place
Morcheeba – The sea
Cibelle – Sereia amor d´água

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Barco Ancorado 03/04/2009


Gravado em apenas três dias, “Secret, Profane and Sugarcane” será lançado no dia 1 de Junho. Trata-se do 25º álbum de Elvis Costello. O álbum traz covers de "Hidden Shame" (Johnny Cash) e "Changing Partners" (Bing Crosby).
Com participação de T-Bone Burnett, “Secret, Profane And Sugarcane” foi produzido e gravado nos estúdios Sound Emporium, em Nashville, Estados Unidos. Desta vez, Costello abriu mão da sua habitual banda para unir-se a um grupo de músicos de country e bluegrass no processo.

Declan Patrick Aloysius MacManus - nome de baptismo de Elvis Costello - nasceu em Londres, no ano de 1954. Nos anos 1970 teve forte participação no movimento pub rock britânico, tendo passado pelo punk e pela new wave na década seguinte.
O primeiro álbum de Costello, My Aim Is True (1977) foi de um sucesso comercial moderado. No mesmo ano Costello recrutou a sua própria banda, The Attractions, composta por Steve Nieve (piano), Bruce Thomas (baixo) e Pete Thomas (bateria).
Depois de uma badalada turné com outros artistas, a banda lançou This Year’s Model (1978), uma gravação frenética preenchida com rouca energia e os versos afiados de Costello.

Mesmo ficando afastado da televisão americana por mais de 20 anos, por causa de um incidente provocado no programa 'Saturday Night Live', a ascensão de Elvis Costello nunca mais parou. Seguiram-se os álbuns “Get Happy!” (1980), “Trust” (1981), “Almost Blue” (1981) e “Imperial Bedroom” (1982), que marcaram uma mudança de estilo mais obscuro.
De lá para cá, Elvis Costello somou mais de 20 álbuns, mais de sete colectâneas, quatro álbuns em tributo, mais de 13 participações em filmes e bandas sonoras, tendo sido indicado para o Óscar de Melhor Canção Original por “The Scarlet Tide”, do filme “Cold Mountain”.

Em Março de 2003, Elvis Costello & The Attractions foram incluídos no Hall da Fama do Rock and Roll, e em Dezembro do mesmo ano o cantor casou-se com Diana Krall na mansão londrina de Elton John.
“Il Sogno”, em 2004, foi o primeiro trabalho orquestral do artista, baseado na obra “Sonho de uma noite de Verão”, de William Shakespeare. Nesse mesmo ano, Costello lançou “The Delivery Man”, um álbum com influências de rock, blues, country e folk.
O seu mais recente trabalho chama-se “The River in reverse”, em parceria com Allen Toussaint. Em Junho, chega “Secret, Profane and Sugarcane”.

Alinhamento
Elvis Costello & The Imposters - There´s a story in your voice
Elvis Costello - Oliver´s army
The Smiths - Ask
The Clash - Rock the Casbah
The Cure - The love cats
The Pretenders - My baby
Elvis Costello - Alison
R.E.M. - Imitation of life
Alanis Morissette - Thank you
Norah Jones - Sunrise
Elvis Costello - She

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Barco Ancorado 02/04/2009


Os Kasabian planeiam oferecer o novo single 'Vlad The Impaler'. Para descarregar o tema basta ir a kasabian.co.uk até amanhã. Espera-se também o lançamento de um vídeo, que a banda gravou com a ajuda de Noel Fielding dos Mighty Boosh.
Este é a primeira amostra para o terceiro disco dos britânicos, "West Rider Pauper Lunatic Asylum", registo que foi produzido por Dan The Automator, dos Handsome Boy Modelling School. A edição está prevista para 8 de Junho. Uma semana antes é lançado oficialmente o segundo single para o álbum, 'Fire'.

Os Kasabian foram formados em Leicestershire, em Inglaterra, em 1999. O nome da banda foi retirado de Linda Kasabian, uma das integrantes do culto de Charles Manson. A banda já foi comparada aos Primal Scream, por misturar indie rock/eletrónico e aos Oasis e Stone Roses, pelo timbre do vocalista Tom Meighan. A banda tem dois álbuns editados e ganhou vários prémios ao longo da sua ainda curta carreira.

Os Kasabian são originários de Leicestershire com elementos das vilas de Blaby e Countesthorpe e conheceram-se na escola. Mais tarde formaram a banda, dando-lhe inicialmente o nome de Saracus, começando a gravar o primeiro EP em Dezembro de 1999. Quando o grupo granjeou algum sucesso, o nome foi alterado para Kasabian, retirado de Linda Kasabian, ex-integrante da família Manson, que testemunhou contra esta no julgamento do Caso Tate-LaBianca.

Alinhamento
Kasabian – Cutt off
Kasabian – Club foot
Kaiser Chiefs – Oh my god
Bloc Party – I still remember
Blur – Out of time
Kasabian -Empire
Interpol – Slow hands
Arcade Fire – Wake up
Kings of Leon - On call
Muse – Sing for absolution
Kasabian – Shoot the runner

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Barco Ancorado 01/04/2009


O novo disco de Diana Krall, "Quiet Nights", teve direito a uma edição especial lançada em exclusivo em Portugal. A compositora canadiana passou pelo nosso país em Fevereiro para gravar um DVD ao vivo, disponível nesta edição exclusiva desde a passada segunda-feira. Neste concerto, Krall gravou cinco temas, a saber, 'Quiet Nights' ('Corcovado'), 'The Boy from Ipanema' ('Garota de Ipanema) e 'Este Seu Olhar' de António Carlos Jobim, este último cantado inclusive em português, 'Walk on by' (original de Burt Bacharach e Hal David) e 'You're My thrill' (escrito em 1933 por Jay Gorney e Sidney Clare).

Aos 44 anos, com mais de uma década de Grammys ganhos pela performance vocal e bem casada com Elvis Costello, Diana Krall não tem, em rigor, nada a provar ao mundo. Nesse contexto, nem é propriamente novo o fascínio da compositora canadiana pela bossa nova que domina o seu novo disco. Nos arranjos volta a estar Claus Ogerman, que já trabalhou com ela em "The Look of Love" de 2001.
Não se espere transgressão neste disco: até mesmo num standard batidíssimo como 'I've Grown Accustomed to Your Face', em que poderia arriscar mais um pouco, Diana Krall limita-se a cumprir calendário. O mesmo se pode dizer de 'Walk on By', originalmente composta por Burt Bacharach, e que, na voz de Krall, nada traz de novo.

A presença mais notada em "Quiet Nights" é necessariamente a de Tom Jobim, que assina três temas, aqui reinterpretados como 'The Boy From Ipanema', 'Este Seu Olhar' (de longe a canção mais esforçada e mais conseguida do disco - o português enrolado de Krall é o que se espera de um nativo da América do Norte) e o tema-título. Antes ainda se ouviu o belíssimo 'Samba de Verão', de Marcos e Paulo Sérgio Valle, aqui convertido num competente 'So Nice'.

Uma nota final de mérito para o carioca Paulinho da Costa, senhor de um currículo invejável que inclui B.B. King, Ella Fitzgerald ou Bob Dylan, e que assume as despesas da percussão. É também a ele que se deve o tom sedutor desta música, própria para jantares românticos à luz das velas e com uma garrafa de Chardonnay já pela metade. Os clichés existem para serem usados quando é mais conveniente e, em "Quiet Nights", Diana Krall fartou-se de puxar da cartilha do piano jazz mais comercialão - infelizmente, o brilho da sua voz (e é inegável que ele existe) nem chega a impor-se num disco demasiado certinho.

Alinhamento
Diana Krall – You´re my thrill
Diana Krall – Walk on by
Norah Jones – Don´t know why
Lisa Ekdahl – Cry me a river
Diana Krall – So nice
Sarah Vaughan - Round about midnight
Ella Fitzgerald & Louis Armstrong - Summertime
Diana Krall – Quiet nights