quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Círculo


Trago as mãos húmidas dos teus desejos e domínios. Como os cegos, os que andejam na escuridão, os excluídos das sementes, tacteio as formas e as suas respostas.
O fogo farta-se da lenha seca dos silêncios. Toco o abismo. E reencontro-me na morada definitiva.

Barco Ancorado 05/11/2008


O primeiro disco de Bryan Adams, um single inspirado no disco sound, "Let Me Take You Dancing", passou despercebido mas valeu-lhe um contrato com a editora A&M Records, em 1978. O álbum de estreia, "You Want It You Got It", que também não conseguiu resultados por aí além, proporcionou ao músico a actuação nas primeiras partes de concertos de bandas como os Foreigner ou os Kinks.
Aos 16 anos, o canadiano decide entrar no mundo da música. Deixa a escola, compra um piano e começa a compor canções, em conjunto com Jim Vallence, para bandas como os Kiss, Lover Boy ou para Bonnie Tyler.
Filho de um diplomata, Bryan Adams chegou a viver em Birre, na zona de Cascais, o que o leva ainda a 'arranhar' o português. Hoje, o cantor canadiano completa 49 anos.

"Cuts Like A Knife", de 1983, foi o primeiro êxito de vendas a conseguir figurar no top ten norte-americano, mas foi com "Reckless", no ano seguinte, que Bryan Adams conquistou definitivamente o seu espaço no cenário do rock. O disco, cheio de canções e acordes simples, ficou duas semanas em primeiro lugar no top dos Estados Unidos, e dele foram extraídos 6 singles que chegaram ao top 15: "Run To You" "Heaven", "Summer Of 69", "Somebody", "One Night Love Affair" e "It's Only Love", cantado em dueto com Tina Turner.
O álbum seguinte, "Into The Fire", de 1987, conseguiu, outra vez, atingir um milhão de cópias vendidas e o seu maior sucesso foi "Heat Of The Night".
Antes de novo álbum, Bryan continuou a estreita colaboração com o cinema, compondo o tema "(Everything I Do) I Do It For You" para o filme "Robin Hood - Príncipe dos Ladrões" de Kevin Costner, que bateu um recorde, permanecendo no top britânico durante 16 semanas. Nos Estados Unidos, foram sete as semanas de glória e ainda duas nomeações para um Grammy e para um Óscar.

"Waking Up The Neighbours", de 1991, precedeu uma digressão mundial que durou mais de dois anos. "So Far So Good", a colectânea de 1993, vendeu em todo o mundo mais de 13 milhões de cópias. Entretanto, o canadiano cantou com estrelas como Pavarotti e voltou a fazer a conhecer um mega sucesso de vendas, em 1995, com o tema "Have You Really Ever Loved A Woman?" do filme "Don Juan De Marco", que lhe valeu outra nomeação para um Óscar.
No ano de 1996 surge no mercado "18 'Till I Die", o quinto álbum. Um conjunto de temas repartidos entre o rock mais típico do início da carreira e baladas que confirmaram a sua inequívoca sabedoria no género.
O seu apoio às causas mais nobres valeu-lhe outros reconhecimentos. Assim, participou numa campanha para a criação de um santuário de baleias e apoiou movimentos como o Greenpeace ou a Amnistia Internacional. Recentemente, ajudou na angariação de fundos para um programa de apoio ao combate do cancro da mama com a modelo Linda Evangelista.

"On A Day Like Today" foi editado em 1998. A receita da fama, desta vez, não funcionou tão bem e o trabalho não resistiu mais de duas semanas no top americano. O ano seguinte serviu para a edição de mais uma colectânea, "The Best Of Me". Desde então, Bryan Adams andou em digressão um pouco por todo o mundo.
Só em 2004, seis anos depois, regressa a estúdio, para a gravação de "Room Service". Quatro anos depois, repete a graça, com "11". Entre um álbum e outro, foi editando vários DVD´s, entre os quais, "Live in Lisbon", que foi registado no Pavilhão Atlântico.

Alinhamento
Bryan Adams – Have you really loved a woman
Bryan Adams – Summer of 69
Barry Manilow – Can´t smile without you
Rod Stewart – When I need you
Bryan Adams -Please forgive me
Phil Collins – Can´t stop loving you
Bryan Adams – Everything I do (I do it for you)

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Barco Ancorado 04/11/2008


Os EUA decidem esta terça-feira quem vai ser o seu novo presidente. A escolha divide-se entre o republicano John McCain e o democrata Barack Obama. Este último é o favorito na corrida à Casa Branca e desde cedo colheu o apoio de inúmeras figuras do mundo artístico norte-americano, nomeadamente músicos.
Vários foram os grupos e cantores que ao longo da campanha de Obama participaram em iniciativas de recolha de fundos, ou que simplesmente se mobilizaram em solidariedade com a campanha do senador do Illinois.

Um dos músicos que participou numa acção de recolha de fundos para Barack Obama foi a cantora Joan As Police Woman, que se apresenta ao vivo em Guimarães no próximo sábado, no Centro Cultural Vila Flor.
A songwriter revela-se convicta na vitória do candidato democrata. «Penso que estas eleições vão além de qualquer fronteira partidária. Toda a gente está horrorizada com as opções da actual administração Bush e da forma como elas arruinaram tanto daquilo que são os fundamentos base do nosso país. Muitos dos nossos direitos constitucionais básicos estão reduzidos neste momento (...) E que desastre eles fizeram de grande parte do mundo. É embaraçoso (...)”, referiu a cantora numa entrevista concedida ao site 'Cotonete'.

Ao longo da campanha para as presidenciais norte-americanas outros nomes se manifestaram publicamente. Michael Stipe, dos R.E.M, conhecido pelas suas críticas a Bush, Win Butler, dos Arcade Fire, e os Wilco foram dos primeiros a avançar no apoio ao senador democrata Obama. Mais tarde surgiram os apelos de Eminem e o apoio de Bruce Springsteen. De fora também vieram incentivos como os de Chris Martin, dos Coldplay, e Obama chegou mesmo a pedir à britânica Joss Stone que fizesse a canção oficial da sua campanha.
A relação entre Obama e as celebridades do mundo artístico foi inclusivamente usada por McCain no seu discurso político. O candidato republicano acusou Obama de ter uma postura de estrela semelhante às de Britney Spears e Paris Hilton. Esta última não se fez rogada e criou mesmo um vídeo parodiando esses comentários, encenando a sua própria candidatura à Casa Branca.

Mesmo os que não se posicionaram oficialmente a favor de nenhum dos candidatos viram os seus nomes envolvidos, como aconteceu com Jon Bon Jovi. O vocalista dos Bon Jovi manifestou-se publicamente contra o uso de uma canção sua na campanha de Sarah Palin, candidata republicana à vice-presidência dos EUA. Já antes Ann e Nancy Wilson, das Heart, tinham proibido o partido de voltar a usar a canção 'Barracuda', e Jackson Browne chegou a processar os republicanos pelo uso não autorizado de 'Running On Empty'.
Sheryl Crow preferiu uma atitude mais imparcial, apelando simplesmente ao voto dos jovens, em troca do download do seu novo disco, "Detours".

Alinhamento
R.E.M. - Loosing my religion
Joan As Police Woman (ft Rufus Wainwright) – To America
Arcade Fire - Haiti
Coldplay – Speed of sound
Bruce Springsteen – My city of ruins
Joss Stone – Right to be wrong
Bon Jovi – Thank you for loving me
Sheryl Crow – The first cut is the deepest

O Inverno que nos alcança


Depois do aviso começamos a sentir que aquele vento de fogo, seco, ácido, duro, soprado feito açoite, trançado na poeira, vai esmorecendo, trocado por outro mais ameno, húmido, com mais pétalas de água.
Vai chegando devagar, mudando as cores dos jardins, como se tivesse vindo de muito longe, das lonjuras de onde só os ventos e as dores podem vir. Nas ruas do centro as mulheres já exibem casacos que cheiravam a guardado de tanto esperar.
As lojas de roupa anunciam as liquidações. A noite vai esfriando, pedindo coberta e paz entre os casais, porque todos sabem que não se devem zangar nos tempos de frio.
Há o espectáculo de olhar pela janela, manhã cedo, e ainda ver a neblina que levanta devagar, com preguiça de acordar e tristeza de separar-se da cidade, cortada em fatias pelos que correm nas avenidas e madrugadores do trabalho, e pelo alto dos edifícios, fazendo recortes no horizonte, como se fossem as montanhas que não temos. E os corações abalados pelas aventuras do Verão vão-se entregando feito quixotes que desistiram dos moinhos de vento, e buscando o aconchego dos amores de Inverno, mais delicados e permanentes.
Nas casas, os chás e o chocolate quente voltam à mesa, o café na livraria é um prazer quase irresistível.
E, uma vez por outra, tenho surpreendido a lua, exposta e nua, em plena tarde, perdida de amor pela vida nos antigos becos.
O Inverno já galanteia a elegância das mulheres. Eu sei e sinto que ele é apenas o meu tempo.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Barco Ancorado 03/11/2008


Lenine tem um novo disco. "Labiata", título do registo chega às lojas nacionais a 10 de Novembro. O disco é composto por 10 temas, onde inclui a canção 'É o Que Me Interessa', da banda-sonora de uma novela transmitida na TV portuguesa.
"Labiata" sucede ao DVD "Acústico MTV", lançado há cerca de ano e meio. O registo foi o primeiro trabalho em formato acústico que Lenine editou em 25 anos de carreira e retrata o espectáculo realizado naquela estação de televisão, que contou com a participação de artistas como o camaronês Richard Boná, a mexicana Julieta Venegas, Igor Cavalera (ex-Sepultura), a harpista Cristina Braga e o oboísta Victor Astorga.

Depois d'Os Novos Baianos terem estabelecido uma ligação coerente entre uma grande diversidade de estilos musicais nos anos 70, e dos Paralamas do Sucesso terem dado continuidade ao movimento na década seguinte, Lenine assumiu o comando das operações nos anos 90, divulgando, em conjunto com nomes como Otto, O Rappa, Chico Science & Nação Zumbi, Mundo Livre S.A., Pedro Luís e a Parede e Carlinhos Brown, o chamado movimento Mangue Beat.
Pernambucano do Recife, Osvaldo Lenine Macedo Pimentel ouviu rock até aos 17 anos, altura em que descobriu o "Clube da Esquina", de Milton Nascimento, e em que assistiu a um concerto de Gilberto Gil. Aos 18, trocou Pernambuco pelo Rio de Janeiro e participou no festival da TV Globo, MPB 81, com o tema "Prova de Fogo".
Lenine é hoje considerado um dos mais inteligentes músicos, compositores e produtores do Brasil, que depois de ter apostado na divulgação a nível nacional do tradicional maracatu da sua terra natal, misturou-o com laivos de pop e apresentou-o ao mundo com a ajuda de Mestre Ambrósio, Chico Science & Nação Zumbi, António Nóbrega e Maracatu Nação Pernambuco.

O primeiro álbum de Lenine foi editado em 1983. Intitulado "Baque Solto", o registo contou com a colaboração do músico Lula Queiroga e procurou essencialmente estabelecer uma ponte entre as sonoridades do nordeste brasileiro e o pop/rock. Só depois de um hiato de 10 anos o músico regressou às edições discográficas, com "Olho de Peixe", mais um registo gravado em parceria, desta feita com Marcos Suzano, um percussionista conceituado habituado a trabalhar exclusivamente com grandes músicos. O disco foi muito bem recebido pelos fãs da MPB e figurou entre os 100 mais vendidos do ano no mercado japonês.
O primeiro disco a solo de Lenine foi "O Dia Em Que Faremos Contacto", misturado nos estúdios Realworld, de Peter Gabriel, que viu a luz do dia em 1997. O álbum valeu ao músico dois prémios Sharp, para Melhor Artista Revelação e Melhor Canção, com o tema "A Ponte", gravado em conjunto com Lula Queiroga.
O tempo que se seguiu foi passado na estrada, numa digressão que percorreu o Brasil e o Japão, e em 1999 Lenine participou no projecto "Carte Blanche", em Paris, a convite de Caetano Veloso.

Em Agosto do mesmo ano, Lenine fez chegar às lojas o seu tão aguardado segundo álbum a solo, intitulado "Na Pressão". O registo reuniu colaborações de artistas como Arnaldo Antunes, Dudu Falcão, Lula Queiroga, Paulinho Moska, entre outros, e incluiu uma homenagem ao mestre Jackson do Pandeiro, no tema "Jack Soul Brasileiro".
Da mistura de universos tão distintos como o samba, rap, maracatu, funk, embolada, balada, rock, techno e jungle, resultou um disco marcado pela criatividade, e que para além de ter fugido aos padrões da pop habitual, misturando tradição com inovação, fê-lo sempre com grande dose de coerência.
No ano 2000, Lenine regressou à estrada, tendo passado por Berlim, França, Holanda e ainda pelo célebre Jazz Café em Londres.
Seguiram-se os trabalhos 'Falange Canibal', 'In Cite', o 'Acústico MTV Lenine' e agora chega 'Labiata'.

Alinhamento
Lenine – Todas elas juntas num só ser
Lenine – A ponte
Paralamas do Sucesso – A novidade
Skank - Resposta
Tim Maia e Marisa Monte – Ainda lembro
Lenine - Paciência
Tom Jobim - Surfboard
Maria Rita – Dos gardenias
Lenine – É o que me interessa