quarta-feira, 7 de maio de 2008

Barco Ancorado 07/05/2008


Prince vai dedicar-se à escrita. "21 Nights" é o título do primeiro livro do artista, cuja edição está prevista para o Outono.
A obra é um ensaio fotográfico que inclui imagens, letras e poesia, captadas e inspiradas nos 21 espectáculos que realizou na O2 Arena, em Londres, no ano passado.
"21 Nights" será acompanhado pelo CD exclusivo "Indigo Nights".
Recorde-se que Prince editou em 2007 o seu vigésimo quarto álbum de estúdio, intitulado "Planet Earth". Recentemente o cantor actuou no festival Coachella, onde interpretou uma versão de 'Creep', um original dos Radiohead.

A obra de Prince, o artífice e revolucionário de Minneapolis, é feita de vinte e um álbuns de originais, um número considerável de compilações e participações em discos de outros nomes cintilantes como Madonna ou Patti Labelle.
O começo foi difícil, como para tantos outros, mas o tiro de sorte aconteceu com a apresentação de uma demo de três temas a representantes da Warner Bros. Prince ficou com 100 mil dólares e liberdade total para fazer o seu primeiro longa duração. É assim que, em 1978, é editado "For You". A versatilidade do showman ficou provada, Prince tocou todos os instrumentos do disco.
"Prince", de 1979, deu-lhe alguma notoriedade, mas foi com "Dirty Mind", de 1980, que não vendeu por aí além, que Prince conquistou de vez as hostes no mundo da música. A sua genialidade foi reconhecida, com a crítica a deixar-se embriagar pelas melodias híbridas do álbum, entre a soul, o funk e o pop. No ano seguinte, foi a vez de "Controversy", evolução do longa duração anterior. Mas, foi em 1983 que se deu a consagração total. "1999", um duplo LP, produziu três singles: "1999", "Little Red Corvette" e "Delirious". A MTV, as rádios e o os tops foram fãs e divulgadores da obra. O álbum figurou nos tops da Billboard durante três anos. Mas as reais virtudes do sucesso estavam ainda para vir. "Purple Rain" foi a elevação de Prince ao estatuto de super estrela. O álbum ficou durante 6 meses em número 1. O filme teve igual sucesso e acabou por vencer o Óscar de melhor banda sonora. O criador de Minneapolis conseguiu finalmente a glória.

"Around The World In A Day", o álbum que se seguiu a “Purple Rain”, foi já editado sob outra etiqueta, a Paisley Park. Embora não tendo o sucesso esmagador dos álbuns anteriores, vendeu mais de dois milhões de cópias e voltou a comprovar a versatilidade e o génio de Prince. “The Black Album', não fosse o conteúdo considerado imoral, teria sido o passo seguinte. "Parade" foi o álbum que se seguiu, composto como banda sonora de um filme que acabaria por ser um fiasco de bilheteira. O duplo "Sign O'The Times", de 1987, foi definido como mais uma obra-prima. Entre o funk, a dança, o pop psicadélico ou incursões no gospel, Prince deu largas à sua imaginação e o resultado foi uma obra memorável. “Lovesexy', de 1988, não conseguiu atingir os resultados comerciais dos álbuns anteriores, mesmo apoiado por uma digressão nos Estados Unidos.
"Batman" foi uma nova incursão de Prince no mundo do cinema. O álbum voltou a facturar como os anteriores e voltou aos lugares cimeiros nos tops. “Graffiti Bridge' antecedeu "Diamonds and Pearls" feito com a New Power Generation, que o ajudou a aparecer novamente nos charts. O single "Cream" foi o quinto número 1 conseguido por Prince. O acto seguinte foi a assinatura de um contrato de 100 milhões de dólares com a Warner Brothers. O artista ficou condicionado à produção de seis álbuns para a nova editora, opção que acabou por não ser a melhor. O álbum seguinte "Love Symbol Album" deu início a uma queda inequívoca na popularidade do compositor.

Em Junho de 1993, Prince mudou o seu nome artístico para um símbolo impronunciável. Aquilo que pretendia ser uma mudança de atitude, acabou por ser motivo de gozo no meio musical. Foi então que começou a batalha com a Warner. Prince queria libertar-se do contrato e acabou por editar "The Most Beautiful Girl In The World" no catálogo da NPG, demonstrando ao gigante americano que era capaz de vender de forma independente. No Verão de 1994, chegou finalmente a acordo com a editora. O fim do contrato chegaria depois de mais dois álbuns editados. "Come", "The Gold Experience" e "Chaos and Disorder" foram os discos seguintes.
Em 1996, The Artist Formerly Known As Prince assinou um contrato com a Emi. A primeira produção foi um triplo álbum, "Emancipation". As vendas voltaram a ser significativas e o disco atingiu a dupla platina. Um novo álbum de material inédito, "Crystal Ball" foi vendido através do seu site na Internet. Por fim, em 1999 é editado o seu último conjunto de originais "Rave Un2 The Joy Fantastic" já na Arista Records.

Alinhamento
Prince - Kiss
Prince – Purple rain
Barry White – Just the way you are
Aretha Franklin – Day dreaming
Prince – Diamonds and pearls
George Benson – In your eyes
Faith Evans – Kissing you
Prince - 1999

terça-feira, 6 de maio de 2008

Ondas


As ondas são anjos que dormem no mar
Que tremem, palpitam, banhados de luz
São anjos que dormem a rir e a sonhar
E em leito d'espuma revolvem-se nus

Quando de noite vem pálida a lua
Seus raios incertos a tremer e pratear
E a trança luzente da nuvem flutua
As ondas são anjos que dormem no mar

Barco Ancorado 06/05/2008


Djavan vai regressar ao nosso país no próximo mês de Junho.
O cantor brasileiro sobe ao palco do Coliseu dos Recreios em Lisboa no dia 28 daquele mês e ao do Coliseu do Porto, no dia 30. Na bagagem o músico vai trazer os temas que compõem o seu mais recente registo "Matizes". 'Pedra', 'Delírio dos Mortais'e 'Adorava Me Ver Como Seu' são alguns dos temas do novo disco.

Há quem o compare com o vinho, justificando que com o tempo "vai ficando cada vez melhor".
Djavan Caetano Viana, ou simplesmente Djavan, nasceu em Maceió, Alagoas, no seio de uma família pobre, que lhe transmitiu a paixão pela música. Foi aí que, ainda muito jovem, formou a banda LSD, que é como quem diz, Luz, Som, Dimensão, cujo repertório era constituído por versões de temas dos Beatles.
Corria o ano de 1973 quando o músico partiu em direcção ao Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar como crooner numa discoteca, actividade que desempenhou durante quatro anos. Foi no Rio que travou conhecimento com um locutor de desporto da Rádio Globo chamado Edson Mauro, que o apresentou ao produtor da editora Som Livre, João Mello. Demorou um mês até Djavan ser contratado como cantor de temas de novelas e, dessa época, resultaram canções como "Presunçosa", de António Carlos e Jocafi para "Super Manuela"; "Calmaria e Vendaval", de Toquinho e Vinicius, para "Fogo Sobre Terra"; e "Alegre Menina", de Dori Caymmi e Jorge Amado, para "Gabriela".

O salto de Djavan para a fama aconteceu através de uma participação no festival "Fato Consumado" da TV Globo, em 1975, onde o cantor apresentou o tema "Abertura", deixando transparecer os seus dotes de compositor, ao conquistar um segundo lugar. O primeiro single, foi editado quatro meses depois, e incluiu os temas "E Que Deus Ajude", "Um Dia", "Rei do Mar" e "Fato Consumado". O primeiro álbum, "A Voz, o Violão, a Música de Djavan", viu a luz do dia em 1976 e, do alinhamento, fez parte o grande êxito "Flor de Lis".
Seguiram-se os álbuns "Djavan" (1979), "Alumbramento" (1980) e "Seduzir" (1981). "Luz", de 1982, foi gravado nos Estados Unidos, onde Djavan conheceu Quincy Jones, que adquiriu os direitos de distribuição de uma série de temas do compositor brasileiro.
Seguiu-se "Lilás", em 1984.
O resto da década de 80 foi preenchido com a edição dos álbuns "Brazilian Knights And A Lady" (1985), "Meu Lado" (1986), "Não É Azul Mas É Mar" (1987), "Bird Of Paradise" (1988) e "Djavan" (1989). Neste último registo, o músico contou com a colaboração do guitarrista de flamenco Paco de Lucia na faixa "Oceano".

Caetano Veloso foi mais um músico de referência do panorama musical brasileiro que colaborou com Djavan, desta feita na faixa "Linha do Equador", incluído no registo de 1991, "Coisa De Acender". O disco de 1996, "Malásia", contou no alinhamento com o tema de Tom Jobim, "Linha do Equador", posteriormente incluído em "Bicho Solto o XIII", de 1998.
O registo "Ao Vivo", editado em formato duplo, chegou ao mercado em 1999 e vendeu cerca de 1,2 milhões de unidades e foi nomeado para três categorias dos prémios Multiprize, concretamente "Best CD", "Best Show" e "Best Singer".
Ao longo da sua carreira, Djavan viu as suas canções serem imortalizadas na voz de grandes nomes da música brasileira, tais como Chico César, Paralamas do Sucesso, Lenine, Elba Ramalho, Chico Buarque, Maria Bethânia, Ney Matogrosso, entre muitos outros.
Djavan regressa a Portugal para actuar no Coliseu dos Recreios em Lisboa no dia 28 de Junho e no Coliseu do Porto, no dia 30.

Alinhamento
Djavan – Meu bem-querer
Djavan – Flor de Lis
Milton Nascimento – Caçador de mim
Marisa Monte – Água também é mar
Adriana Calcanhoto – Fico assim sem você
Djavan - Oceano
Elis Regina – Me deixas louca
Gilberto Gil - Tradição
Tim Maia – Azul da cor do mar
Djavan - Lilás

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Barco Ancorado 05/05/2008


Tina Turner vai realizar uma digressão pelos EUA. A cantora de 'The Best' confirmou o regresso ao activo durante uma entrevista a Oprah Winfrey. Turner volta, assim, aos espectáculos, quase uma década após o seu último concerto ao vivo. Até ao momento, desconhece-se se a cantora vai realizar algumas datas na Europa.
Recorde-se que Tina Turner cantou com Beyoncé na última cerimónia dos Grammys.

A soul e os blues, com grandes responsabilidades na criação do rock'n'roll, são géneros que estiveram também ligados ao início de carreira daquela que foi talvez uma das melhores performers no nosso planeta: Annie Mae Bullock ou Tina Turner.
Foi em St.Louis que Annie Mae, depois de muita insistência, conseguiu cantar durante uma apresentação de Ike Turner e os seus Kings Of Rythm. O primeiro disco em conjunto surgiu em 1960. O tema "Fool In Love" foi o primeiro sucesso de uma turbulenta relação que acabou em casamento em 1962. Tina tinha os dons do show e a aptidão natural da sua voz não passou despercebida a Ike, que passou a basear o espectáculo na actuação da mulher. Os sucessos repetiram-se, com temas soul como "It's Gonna Work Out Fine", "Poor Fool", e outros, a conquistarem lugares de destaque nos tops de R&B e de pop. A voz de Tina ultrapassou o Oceano Atlântico e cedo o triunfo chegou a Inglaterra. Os Rolling Stones tornaram-se fãs do duo, o que os levou a fazerem a primeira parte dos concertos da banda de Mick Jagger, em 1969. A colaboração com bandas inglesas continuou e, em 1971, Tina teve o papel de Acid Queen no filme "Tommy", com os The Who.

A cáustica relação de Tina Turner com Ike continuou até ao ponto de exaustão. Tina deixou o marido, em 1976, depois de inúmeros episódios de violência perpetrada pelo músico embriagado, ou sob o efeito de drogas, que a levaram a uma tentativa de suicídio, em 1968. Ike foi preso inúmeras vezes desde então, devido a várias acusações, essencialmente relacionadas com droga. O regresso de Tina aconteceria seis anos depois, após um período extremamente difícil em que dependeu de algumas instituições para se poder alimentar.
Foram, outra vez, os Rolling Stones a darem uma mãozinha. Tina começou por fazer a primeira parte dos concertos na digressão americana da banda, para depois fazer uma tour mundial com Rod Stewart. O comeback em disco teve lugar com "Let's Stay Together", uma canção de Al Green, que conseguiu lugar honroso no top britânico. "Private Dancer", de 1984, foi o álbum que comprovou o magnífico e surpreendente regresso da cantora de Brownsville. O disco chegou a número 3 do top americano, vendeu cinco milhões de cópias e produziu temas inesquecíveis como "What's Love Got To Do With It" e "Better Be Good To Me".
Em 1985, "miss Hot Legs" participou no filme "Mad Max Beyond Thunderdome', com Mel Gibson, e participou também na banda sonora com os temas "We Don't Need Another Hero", "Thunderdome" e "One Of The Living". A indústria discográfica aclamou-a dando-lhe quatro Grammys, em 1984.

Dois anos depois, foi a vez da edição de "Break Every Rule". O disco conseguiu a platina e lançou três temas para os primeiros lugares dos tops, entre os quais, "Typical Male", que chegou a número 2. Os seus concertos, onde mostrava a faceta de incansável show woman, trouxeram-lhe cada vez mais fãs, principalmente na Europa. Antes ainda, cantou em dueto com Bryan Adams e com Mick Jagger. Com o rocker canadiano gravou "It's Only Love" e, com o frontman dos Stones, fez um dueto durante o Live Aid.
Três anos depois foi a vez da edição de "Foreign Affair". O single "The Best" chegou a número 15 nos Estados Unidos. As vendas na Europa continuaram a surpreender e o álbum, no Reino Unido, vendeu mais que "Private Dancer". "Simply The Best", uma colectânea dos seus maiores êxitos foi editada um ano depois.
Um certo declínio comercial, que começou exactamente com "Foreign Affair" prolongou-se até aos dias de hoje. Tina Turner figura, actualmente, no catálogo da Virgin, onde gravou os álbuns "Wildest Dreams" e "Twenty Four Seven". Com cerca de 40 anos de carreira, ameaçou, uma vez mais, despedir-se dos palcos. Definitivamente ou nem por isso? Parece que nem por isso. Tina Turner vai mesmo regressar aos espectáculos, quase uma década após o seu último concerto ao vivo.

Alinhamento
Tina Turner – On silent wings
Tina Turner – Private dancer
Roberta Flack – Killing me softly with this song
Diana Ross – Endless love
Natalie Cole – Miss you like crazy
Tina Turner – When the heartache is over
Gladys Knight – Licence to kill
Lionel Richie – Just for you
Tina Turner – Goldeneye

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Barco Ancorado 02/05/2008


Dez anos após o auge da sua carreira, quinze após terem surgido na cena musical e três após a última passagem por território luso, os norte-americanos Backstreet Boys regressaram a Portugal para actuarem pela segunda vez no palco do Pavilhão Atlântico, em Lisboa. Tal como as vendas de discos, também o interesse pelos espectáculos do, agora, quarteto, parece estar a diminuir. À espera do grupo estava uma sala dividida a meio e, mesmo assim, longe de estar lotada.

O pretexto da visita dos Backstreet Boys era apresentar novo conjunto de originais, "Unbreakable" (2007), no entanto foi com 'Larger Than Life' ("Millenium", 1999) e 'Everyone' ("Black & Blue", 2000), com o palco transformado num ringue de boxe, que deram início a uma noite de nostalgia e celebração, com banda e público ao rubro durante cerca de duas horas.
Nick Carter, Howie Dorough, Brian Littrell e AJ McLean (Kevin Richardson abandonou a formação em 2006), quase todos pais de família, não abrandaram o ritmo nem por um instante, mesmo quando interpretavam temas mais calmos. Longe vai o tempo em que os Backstreet Boys vendiam mais de um milhão de álbuns na semana em que os seus novos trabalhos chegavam às lojas, bem como a época em que conseguiam esgotar para cima de cinquenta datas da mesma digressão. No entanto, o colectivo provou novamente todo o seu profissionalismo, garra e dedicação aos seguidores e ao ofício. A acompanhá-los esteve uma banda, num palco despido de grandes produções mas com um poderoso jogo de luzes. A geração que outrora idolatrava o grupo sensação da pop dos anos '90 também cresceu e a respectiva média de idades ronda, actualmente, os vinte anos. O universo feminino esteve representado em franca maioria, no entanto ainda se encontravam na plateia alguns casais e adolescentes.

As baladas melosas e românticas foram rainhas e senhoras no concerto lisboeta dos Backstreet Boys, com as incontornáveis 'I Want It That Way', 'Show Me The Meaning Of Being Lonely', 'I'll Never Break Your Heart' e 'More Than That' a serem cantaroladas a uma só voz.
As Long As You Love Me ' e 'Incomplete', porventura uma das melhores composições de toda a carreira do grupo, também não ficaram esquecidas, enquanto que do novo disco se ouviram, entre outras, os singles 'Inconsolable' e 'Helpless When She Smiles'.
Entre as várias mudanças de roupa, cada um dos Backstreet Boys brilhou a solo. Brian Littrell, provavelmente o mais virtuoso dos quatro, cantou a inspirada 'Welcome Home', incluída no álbum com o mesmo nome, de 2006.

'Everybody (Backstreet's Back)' e 'Shape Of My Heart', esta última já no encore, fecharam o espectáculo com chave de outro, com o quarteto a segurar cachecóis de Portugal em apoteose e sob uma chuva de papelinhos. Dez anos após a estreia nos palcos lusos, na Praça de Touros de Cascais, os Backstreet Boys podem estar mais velhos e até com uns quilinhos a mais. No entanto, continuam tão enérgicos e joviais como sempre.

Alinhamento
Backstreet Boys – Anywhere for you
Backstreet Boys – Shape of my heart
Josh Groban – Remember when it rained
Celine Dion – All by myself
Michael Buble - Everything
Backstreet Boys – When you say nothing at all
Chicago – Glory of love
Steve Winwood - Valerie
Backstreet Boys – Show me the meaning (of being lonely)